Filipe Valões
Filipe Valões

Chegou a hora de liberar os “táxis-lotação” em Maceió

Filipe Valões|

Situações extremas, medidas extremas. Em plena pandemia do coronavírus, sob restrições do decreto que colocou Alagoas na fase vermelha, os maceioenses precisam trabalhar e, pra isso, enfrentar diariamente ônibus lotados. A solução ou paliativo pode estar em nossas ruas há um bom tempo, na forma do transporte ainda tido como clandestino, o popular “taxi-lotação”, que divide opiniões.

Mas, agora, não podemos nos dar ao luxo de discussões cheias de nuances. Se antes era possível debater opiniões, considerar as implicações decorrentes de liberar um segmento inteiro de concorrentes diretos das empresas que prestam serviços de transporte coletivo, agora não tem mais jeito.

A frota de ônibus que atende as linhas urbanas da capital nunca foi suficiente. Tanto é que o número de motoristas fazendo lotação com seus veículos particulares ou até mesmo táxis legalizados só aumenta. Se não houvesse demanda da população, obviamente não veríamos tantos clandestinos nas ruas, nos principais pontos de movimentação de Maceió.

As sucessivas e recorrentes operações feitas pela prefeitura, através da SMTT, nunca conseguiram extinguir esse setor informal, apesar de causarem perdas significativas nos bolsos dos motoristas pegos em flagrantes, com multas e taxas pesadas para liberação de seus veículos.

Não é possível ignorar que a existência e a continuidade da atuação desses motoristas é decorrente da insatisfação da população com o transporte público ofertado. Portanto, eles não são e nunca foram um problema. Apenas nunca tiveram força ou reconhecimento suficientes para alcançar voz ativa na discussão que se manteve apenas entre Prefeitura e empresários do transporte coletivo.

Como tudo mais, desde o início da pandemia do coronavírus, isso também precisa ser revisto sob outra ótica. O problema agora é outro, o que antes era transtorno e insatisfação com ônibus cheio, tornou-se uma ameaça das mais graves, com os coletivos promovendo a aglomeração que é condenada em todos os outros setores da sociedade.

Não há perspectiva nem proposta concreta apontando para a ampliação da frota de ônibus em Maceió. Não é possível manter os trabalhadores em casa. Não há como impedir que os motoristas de taxi-lotação ofertem uma alternativa aos passageiros. A solução é óbvia, doa a quem doer.

A prefeitura de Maceió precisa admitir que existe toda uma “frota” já em atividade paralela, que pode contribuir com a redução de aglomerações nos ônibus, além de criar por si só uma movimentação na geração de renda, tão necessária nessa crise que enfrentamos.

E, convenhamos, já passou da hora de acabar com um tipo de perseguição que trata trabalhadores honestos como se fossem criminosos.

Vidas precisam ser preservadas, a economia precisa ser mantida, o transporte não pode parar. Simples assim. Agora é com o prefeito JHC, resolver um problema novo com uma solução antiga.

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Coluna sobre Política, Tecnologia

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