Um eterno amante das artes, com olhar sensível, criatividade pulsante, entusiasta dos espetáculos teatrais, um ser humano muito generoso e amigo dos artistas. É assim que as pessoas que o conheciam são unânimes ao descrever o ator, diretor, dramaturgo,  produtor musical e radialista mineiro, Lauro Gomes.  

Ele faleceu no último dia 12, aos 83 anos. Estava internado em um hospital no Rio de Janeiro para o tratamento de um recém-descoberto câncer no cérebro e acabou sofrendo uma parada cardíaca.

Lauro deixa um importante legado por toda sua contribuição ao teatro alagoano. Emocionados e saudosos, gestores da Diretoria de Teatros do Estado de Alagoas (Diteal) e artistas com o quais Lauro tinha amizade e trabalhou reverenciam este grande profissional das artes, ao lembrar de suas características, momentos e espetáculos que ficaram eternizados na memória e na história.

“Lauro Gomes era uma pessoa muito querida pelos profissionais das artes. Quem o conhecia se encantava. Ele deixa um legado muito importante por toda sua contribuição com o teatro alagoano. Esteve aqui em Alagoas por cinco décadas seguidas, sempre interagindo e colaborando com as atrizes, atores, diretores, produtores... Era um entusiasta do fazer teatral. Uma grande perda para nós”, disse a diretora presidente da Diteal, Sheila Maluf.

“O Teatro Deodoro e o Teatro de Arena Sérgio Cardoso foram palcos de grande importância na relação de Lauro Gomes com o teatro alagoano. Sem dúvidas, ele veio cumprir um importante papel, numa trajetória que contou com montagens históricas, nas quais podemos destacar a antológica “Hoje é Dia de Rock”, de Zé Vicente, que ocupou o palco do Arena, logo em seguida a sua inauguração, com o ator Sérgio Cardoso, que veio a falecer aproximadamente um mês depois. Hoje é Dia de Rock fez uma temporada de 20 apresentações consecutivas, com casas cheias, disputa do público por um lugar na plateia, era o ano de 1972, e, certamente, acontecia ali, um grande momento da cena local, que se concretiza com a direção de Lauro Gomes e toda sua concepção para o espetáculo, um passo acima do fazer teatro em Alagoas ou melhor, mais um passo. Foram muitos os momentos de Lauro Gomes conosco, com os atores alagoanos das mais diversas gerações. Em 2010, nas celebrações dos 100 anos de fundação do Teatro Deodoro, o texto é de Lauro Gomes, “O Patinho Feio”, numa realização da ATA, sob direção David Farias com o apoio da Diteal, participa da programação alusiva à data tão significativa, e, assim, quando a cortina se fecha para o homem Lauro Gomes, fica o legado, nos cabem as reverências e a certeza de quanto este grande “fazedor de arte” merece de nós imensa gratidão”, concluiu o gerente artístico e cultural da Diteal, Alexandre Holanda.

Sobre Lauro Gomes:

Nascido em Minas Gerais em 23 de março de 1937, Lauro Gomes tinha, em seu currículo, os cursos de interpretação e direção do Conservatório Nacional de Teatro, tendo encenado peças de Tchekhov e Oscar Wilde. Ademais, escreveu e dirigiu diversas obras, vindo a ser premiado com duas delas: O Patinho Feio e O Sapateiro do Rei.

No rádio, Lauro Gomes Pinto começou sua trajetória na Rádio MEC (à época, ainda Rádio Ministério da Educação e Cultura), após uma conversa, em frente ao Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com Reginaldo Magalhães, seu amigo e então assessor do diretor artístico da emissora. Em tom de brincadeira, pediu a ele para produzir um programa na rádio.

Para sua surpresa, aquele momento descontraído lhe abriria as portas do rádio e, em 1974, Lauro Gomes foi admitido na Fundação Centro Brasileiro de TV Educativa (FCBTVE) como técnico de Programação Radiofônica. Ao longo de mais de 40 anos, Lauro Gomes produziu inúmeros programas, além de colaborar com tantos outros em uma carreira que teve importante papel na construção da imagem que a Rádio MEC mantém junto aos ouvintes. O desafio, logo nos seus primeiros anos de emissora, foi organizar a programação da Rádio MEC, buscando uma identidade própria para a emissora, que perpassou por sua paixão pela música, tanto a clássica, quanto a popular.

No final dos anos 1970 e início da década seguinte, Lauro Gomes voltou-se para o audiovisual, chegando a roteirizar, a convite de Aylton Escobar, os programas Escala e Opus da TV Educativa do Rio de Janeiro. Naquela ocasião, ele assumia dois cargos, sendo um na Rádio MEC e outro na TVE.

Com a necessidade de optar por um dos meios, Lauro Gomes se inclinou para a televisão, pois percebeu que o veículo representaria novos desafios a um profissional que já havia feito de tudo no rádio. Ele, no entanto, foi surpreendido pela insistência de Heitor Salles em tê-lo no quadro da Rádio MEC. A emissora começou a expandir sua transmissão e Lauro Gomes foi escolhido para assumir a direção da nova Rádio MEC FM.

Com a dissolução do Ministério da Educação e Cultura, o nome da emissora passou a ser questionado, uma vez que o vínculo entre o nome da rádio e um ministério que não existia perdeu seu sentido. Na contramão deste movimento, Lauro Gomes optou por ressignificar a sigla MEC, rebatizando a emissora de Rádio Música, Educação e Cultura.

Ainda nos anos 1980, Lauro Gomes assumiu a produção de um dos mais antigos programas radiofônicos do país: Música e Músicos do Brasil. Importante marco da radiofonia brasileira, o programa está no ar há mais de 70 anos, praticamente metade deles sob a batuta de Lauro Gomes. Nele, o produtor e apresentador abriu espaço para a divulgação do trabalho de vários musicistas, desde os mais consagrados até aqueles que iniciavam suas carreiras.

Já nos anos 2000, produziu diversos ciclos de programas em homenagem a grandes nomes da música clássica brasileira, incluindo Guiomar Novaes, Francisco Mignone, Nelson Freire e Bidu Sayão, que foi entrevistada por ele em 1987.

No início de 2020, antes da pandemia do coronavírus, Lauro Gomes foi o primeiro convidado a participar do projeto Memória Rádio MEC, uma parceria da emissora com a Gerência de Acervo da EBC, que busca resgatar histórias que ajudem na construção da memória do veículo, o mais antigo da EBC.

Lauro Gomes e seu legado deixado no teatro alagoano:

Lauro Gomes teve seu primeiro contato com o teatro alagoano em 1971, por meio da Associação Teatral das Alagoas (ATA), à época liderada por Linda Mascarenhas, grande ícone das artes cênicas no estado.

Os amigos, José Márcio Passos e Homero Cavalcante, atores, diretores e dramaturgos, contam como Lauro Gomes chegou ao teatro alagoano. “Tivemos um ator em Alagoas, que era mais declamador, Lauro Barros, ele frequentava a casa de Linda Mascarenhas, que era uma oficina de teatro. A Linda desejava muito montar a tragédia grega, Fedra, de Racine. O Lauro Barros disse a Linda que tinha um amigo, ia dar o endereço e telefone, era o Lauro Gomes. Linda foi ao Rio, telefonou para Lauro e se encontraram.  Lauro sugeriu que Linda fizesse Hipólito, de Eurípedes, de onde Racine tirou o texto. Linda montou Fedra, interpretada por sua sobrinha, Sônia Melo. Ela percebeu que Lauro tinha muita competência com o fazer teatral e o convidou para Maceió. Ele trouxe o Aylton Escobar, como grande regente, e foram para a casa de Linda. Até hoje, o Aylton Escobar diz que Hipólito, de Maceió, Alagoas, foi a melhor composição dele, de trilha sonora, para a ATA. Inclusive, tenho um amigo, que é músico, participou e disse que foi a maior oficina de direção musical que teve. A montagem de Hipólito foi um grande espetáculo. Tinham músicos da Polícia Militar, harpa, piano, improviso, uma coisa extraordinária. É quando começa a colaboração de Lauro, como diretor, no sentido de modernização e inovação no teatro de Maceió. Trazer um sopro novo, de mudança, dando a continuidade que o próprio teatro se encarrega de fazer, evoluindo. O Lauro fez o que Verdi executou com a ópera, não existia estereofônico e o Verdi espalhava instrumentos e músicos pelo teatro para sentir a música indo e voltando. O Aylton Escobar e o Lauro tiveram a ideia de espalhar o coro do Hipólito pelo Teatro Deodoro. Lauro também mostrou a possibilidade dos artistas entrarem em cena por outros espaços, existia a interatividade entre os artistas e a plateia, que colaborava com falas. Isso é uma marca do Lauro Gomes como diretor”, revelam.

Eles contam mais histórias desta época. “Linda tirava dinheiro de onde tinha para realizar os espetáculos e há de salientar a presença importante do grande maquinista e cenotécnico, Zé Cabral. O Lauro trouxe os desenhos de cenário, figurino e Zé Cabral executou a cenografia difícil de forma extraordinária com rampas e tudo. No outro ano, Linda se interessou em montar mais um espetáculo com Lauro. Ela queria muito fazer a Fedra, mas deixou em aberto para ele sugerir espetáculos. Lauro sugeriu: Hoje é dia de rock, o autor, que o conhecia, cedeu o texto e vem, no recém inaugurado Teatro de Arena, nascendo essa marca maior de interação entre artista e público. A presença de Lauro é importantíssima no teatro alagoano com Linda Mascarenhas. Linda tinha uma linha de teatro à sua época, mas, ao mesmo tempo, à frente de seu tempo, e possibilitava a inovação. Lauro era uma pessoa amada, guardamos, junto à saudade, os ensinamentos”.

O ator da ATA e professor do curso de Teatro Licenciatura da UFAL. Ronaldo de Andrade, também deixou registrado o seu depoimento sobre o artista. “Lauro Gomes é o nome que ecoara de forma perene na história do Teatro de Alagoas e de maneira emocionante, porém efêmera nas histórias de vida da geração de atores, atrizes e técnicos da arte do Teatro em Maceió, a partir dos anos 1970 até hoje. O importante papel de diretor de Teatro, que Lauro Gomes exerceu na nossa Associação Teatral das Alagoas-ATA, foi desempenhado com a altivez dos que dominam e sabem praticar as teorias. Lauro se formou em Teatro, no Conservatório Nacional de Teatro, no Rio de Janeiro. Ele trouxe para a ATA toda experiência adquirida no Grupo Orla de Teatro da Guanabara, que fundou, dirigiu e conquistou reconhecimento durante os anos 1960. Ele implantou na ATA, a partir dos anos 1971, a prática do seu método, o Teatro de Participação a Vanguarda, que atribuiu ao grupo de Linda Mascarenhas, uma maneira especial de lidar com processo de criação coletivo. Este fato consolidou na ATA a participação efetiva e permanente de atores, e técnicos, do qual fiz e continuo fazendo parte ao lado de José Márcio Passos, Dario Bernardes, Homero Cavalcante, Correia da Graça, Beatriz Brandão, dentre outros e de uma mais nova plêiade de amantes do Teatro. Destes nomes, alguns já não estão no grupo de forma efetiva, mas são disseminadores do que aprenderam com Lauro, através da ATA”.

Ronaldo de Andrade continua: “A importância de Lauro Gomes para o Teatro de Alagoas também pode ser percebida no repertório dos textos que dirigiu: Hipólito, Hoje é dia de rock, O Inspetor Geral, Pano de Boca, Onde canta o sabiá, A sapateira prodigiosa, O acendedor de estrelas, Fazendo chuva, O Bravo soldado Schweik, A serpente, A reforma e Prometeu Acorrentado. Lauro Gomes transitou com desenvoltura impecável tanto na cena italiana, quanto na cena em arena. Nos limites destas poucas palavras, podemos afirmar: Lauro Gomes deixa para o teatro alagoano um legado constituído por saberes teóricos, por procedimentos criativos, por técnicas para naturalização da interpretação teatral, de altruísmo exemplar para os sócios da ATA e para os participantes do teatro alagoano de hoje. Lauro Gomes aprofunda na arte de interpretar pelos alagoanos o ingrediente vital para o sucesso que é o amor pelo Teatro. E ainda o mais importante: foi com Lauro que na ATA se buscou a prática não do Teatro Regional, mas de um Teatro de significado local estruturado nos signos culturais alagoanos, como o falar, a musicalidade, o imaginário. Mais tarde, em 1995, este fazer foi fundamental para a elaboração do Manifesto Makamadi, através do qual a ATA, no primeiro número de sua Revista Kaiti-tu, se compromete pela construção e "Criação de um Teatro que se proclame alagoano", finaliza.

Confira os espetáculos, que contaram com a participação de Lauro Gomes, seja na direção, atuação e dramaturgia, nesta linha do tempo abaixo:

    Lauro Gomes e o Teatro alagoano:

01-        HIPÓLITO, de Eurípedes; Direção ATA; Ano 1971; Teatro Deodoro.

02-        HOJE É DIA DE ROCK,  de Zé Vicente; Direção ATA; Ano 1972; Teatro de Arena Sérgio Cardoso.

03-        O INSPETOR GERAL, de Nicolai Gogol; Direção ATA; Ano 1975; Teatro Deodoro.

04-        O BRAVO SOLDADO SCHWEIK, de Jaroslav Hasec; Direção ATA; Ano 1976; Teatro de Arena Sérgio Cardoso.

05-        O SAPATEIRO DO REI, de Lauro Gomes; Autoria ATA; Direção de José Márcio Passos; Ano 1977; Teatro de Arena Sérgio Cardoso.

06-        A SAPATEIRA PRODIGIOSA, de Federico Garcia Lorca; Direção ATA; Ano 1977; Teatro Deodoro.

07-        PANO de BOCA, de Fauzi Arap; Direção ATA; Ano 1978; Teatro de Arena Sérgio Cardoso.

08-        ONDE CANTA O SABIÁ, de Gastão Tojeiro; Direção ATA; Ano 1979; Teatro de Arena Sérgio Cardoso.

09-        FAZENDO CHUVA, de Homero Cavalcante; Direção ATA; Ano 1983; (última peça em que Linda Mascarenhas trabalhou como atriz); Teatro de Arena Sérgio Cardoso.

10-        A MANDRÁGORA, de Nicolau Maquiavel; Direção ATA; Ano 1994; Teatro de Arena Sérgio Cardoso.

11-        NÃO CONSULTES MÉDICOS, de Machado de Assis; Curso de Formação de Atores da UFAL; Ano 1996; Teatro de Arena Sérgio Cardoso.

12-        A SERPENTE, de Nelson Rodrigues; Curso de Formação de Atores da UFAL; Direção ATA; Ano 1996; Teatro de Arena Sérgio Cardoso.

13-        JORGE DE LIMA: O ACENDEDOR DE ESTRELAS, adaptação da obra do Poeta Jorge de Lima, feita por José Márcio Passos, Homero Cavalcante e Ronaldo de Andrade; Direção ATA; Ano 2003; Teatro Deodoro.

14-        Projeto “TODOS VERÃO TEATRO”; Realizado na cidade de Arapiraca/AL; Ano de 2004; Ministrou Oficina de Iniciação Teatral.

15-        O PATINHO FEIO; Autoria ATA; Ano 2010; Direção David Farias; Teatro Deodoro, 100 anos da casa de espetáculos.

16-        A PRINCESINHA MIMADA E O DRAGÃO MALVADO; Autoria (ATA); Ano 2018; Direção de David Faria; Teatro Deodoro.

“Faltavam 2 dias para a estreia de O Patinho Feio, quando conheci Lauro, autor do texto, que eu assinava a direção. Foi no nosso palco maior, o Deodoro. Estávamos ensaiando, era um daqueles ensaios técnicos pré-estreia, que nada sai como era pra sair. Lauro, me acalmou - "Menino, que trabalho lindo! Ensaios antes da estreia são assim, a magia será no dia". Após a estreia, Lauro me abraçou forte e emocionado. Agradeceu, vibrando. Na verdade, Lauro confessou, mais tarde, que estava desesperado pelo que viu no ensaio, (risos), com sua generosidade, apenas quis me acalmar. Era a sabedoria dos mestres. Foi uma passagem de poucos dias, suficiente para nutrir nossa amizade, como se a diferença de idade não existisse. De fato, não importa e nem foi impedimento para uma troca de afeto e aprendizados artísticos, que trago na bagagem das minhas experiências não apenas profissionais, mas de vida! Lauro, um mestre amigo, uma presença cênica estupenda no palco da terra”, relatou o professor e diretor, David Farias.

Os relatos de um mestre sensível e generoso são unânimes. “Eu trabalhei com o Lauro no começo da minha carreira. Lógico que, independente de ter sido no início ou agora, cada diretor, cada teatrólogo, cada pessoa que faz teatro tem ensinamentos que são necessários para quem quer seguir esse caminho. Lauro era uma pessoa caridosa, assim como todo artista, vaidoso, ele sabia lidar com as particularidades de cada um. Fiz uma leitura dramatizada com ele e o espetáculo A Serpente, de Nelson Rodrigues, cujos textos já são por si só instigantes e o Lauro deu mais essa força na encenação, vontade de atuar mais profundamente. Estava aprendendo, no curso de formação, lembro que as palavras do Lauro me nutriam muito de ensinamentos, faziam com que a gente se entregasse ao personagem, assumindo-o, mas sem deixar de ser você. Depois de ter feito espetáculos, ele sempre estava lembrado de mim, que trabalhamos juntos, que foi bom. Ele sempre mandava alguma notícia, era uma pessoa que alimentava o relacionamento e deixava uma porta aberta”, acrescentou a atriz Diva Gonçalves.

Em suas andanças pelo interior do estado, Lauro Gomes e o ator Igor Rozza, da cidade de Taquarana, se conheceram. “Recebi com muita dor a notícia da partida do Lauro Gomes. Tive meu primeiro contato com ele na adolescência, em Arapiraca. Foi o meu primeiro contato também com o teatro. Ele ministrou uma oficina de Iniciação Teatral, que durou uma semana, na ONG Candeeiro Aceso. Eu morava em outra cidade, mas me desdobrei pra ir em Arapiraca durante uma semana e aprender toda a minha iniciação no teatro. Estavam presentes também outros atores e atrizes que hoje fazem a cena em Alagoas: Dayane Teles, Reginaldo Oliveira, Paulo Cândido e Teófanes Silveira (o Palhaço Biribinha). Foi através de Lauro que aprendi a gostar de teatro e a fazer do teatro a minha vida. Sem o conhecimento e a paciência dele, eu não estaria no mundo das artes. Onde ele estiver, que saiba de minha gratidão e carinho pela figura carismática que ele sempre foi”, conta o artista.