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Procura por atendimento na Unidade Sentinela em Arapiraca cresceu nos últimos dias.

Uma análise da 7ª semana epidemiológica (SE) de 2021, feita pelo Observatório Alagoano de Políticas Públicas para o Enfrentamento da COVID-19, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), apontam um agravamento do cenário epidemiológico no estado. O aumento do número de casos confirmados, de óbitos e da ocupação hospitalar são os fatores que justificam o adensamento da doença em Alagoas.

Conforme o levantamento, ao longo da 7ª semana o estado registrou 4.218 casos de Covid-19 e 67 óbitos, um aumento percentual de 33% em relação à semana anterior, que registrou 14%.

Ainda segundo o estudo, a maioria dos casos se concentram em Maceió, que registrou 55% dos casos no período avaliado. No entanto, em relação ao número de óbitos, o quantitativo registrado no interior do estado superou ao da Capital pela segunda semana consecutiva. 

Após meses apresentando oscilação, quatro regiões de saúde apresentaram aumento na incidência de novos casos por duas semanas consecutivas. Maceió e Arapiraca continuam liderando a incidência de casos em relação às suas populações com 227 e 149 casos para cada 100 mil habitantes, seguidas pela 2ª e 5ª Regiões de Saúde que registraram na última semana 68 e 59 novos casos para cada 100 mil habitantes.

O aumento dos casos em investigação também aumentou, segundo o Observatório. Até este domingo (22/02) foram registrados 8.932 casos que aguardam confirmação laboratorial, o que evidencia as dificuldades que o estado tem neste quesito, comprometendo o reconhecimento da atual situação epidemiológico bem como a definição de estratégias de controle.

Além disso, considerando os exames RT-PCR realizados pelo Lacen/AL ao longo da 7ª SE, cerca de 56% dos testes conclusivos tiveram resultados positivos. 

Quanto à ocupação hospitalar, última dimensão entre os indicadores analisados, o significativo aumentado na procura por leitos observado na última semana é mais um indício do atual agravamento da pandemia em Alagoas. Apesar do esforço do governo estadual, que reforçou a oferta desde dezembro com mais 96 leitos de UTI exclusivos à COVID-19, a taxa de ocupação desse tipo de leito continua subindo sistematicamente, atingindo 72% de ocupação no último dia 20.

Superando a margem de segurança de 70%. Em termos regionais, Maceió registrou ocupação de 67% enquanto no interior 79% dos leitos de UTI da rede pública destinados à vítimas da COVID-19 estavam ocupados.

O levantamento aponta que, com exceção de União dos Palmares, onde durante o período avaliado, nenhum dos dez leitos disponíveis estava ocupado, os demais municípios do interior que dispões de leitos de UTI dedicados à COVID registravam ocupação superior à 70%. 

“Como pode-se observar da análise dos dados apresentados anteriormente, Alagoas continua apresentando um descontrole na transmissão do novo Coronavírus que, segundo sugerem as evidências aqui discutidas, está novamente se espalhando por diversas regiões do estado. Considerando que o número efetivo reprodutivo (Rt) continua acima de 14 , o que é mais um indício de descontrole da transmissão, a perspectiva para as próximas semanas é de piora da situação que já é grave. Neste sentido, caso as medidas de controle amplamente divulgadas nos últimos meses (uso de máscara, higienização das mãos e distanciamento social) continuem não sendo suficientes para conter a transmissão, novas intervenções devem ser implementadas pelo poder público a fim de evitar um colapso do sistema de saúde e salvar vidas”, conclui o estudo.