Mensagens, elogios, publicaçõe nas redes sociais destacando a vitória, além de citações já como fortíssmo candidato a governador em Alagoas em 2022. Foi assim a primeira noite e o início do dia seguinte do deputado federal Arthur Lira (PP-AL) após ser eleito presidente da Câmara dos Deputados.

Contudo, a vitória também expôs um certo constrangimento: como segundo na linha sucessória ele não pode ocupar interinamente a Presidência da República em substituição ao presidente Jair Bolsonaro e o vice Hamilton Mourão.

A não ser que tudo mude, o STF já decidiu "que réus em ações penais podem até comandar uma das Casas do Congresso, mas não substituir o presidente e o vice, caso os dois se ausentem do território nacional". E essa decisão tomou como base uma ação do partido Rede que defendia que a função de presidente da República é “incompatível com a condição de réu”.

Esse precendente surgiu numa questão que envolveu o também alagoano Renan Calheiros (MDB), em 2016, - na época réu por crime de peculato, do qual já foi absolvido -, foi afastado pelo ministro Marco Aurélio da presidência do Senado. O plenário do STF 'ajeitou' a decisão e permitiu que Renan chefiasse o Senado, mas não poderia assumir o governo federal.

De acordo com o Estado de São Paulo, "A Primeira e a Segunda Turma do STF já aceitaram denúncias contra Lira em dois casos distintos que ainda aguardam a análise de recursos. Lira é investigado pelos crimes de corrupção passiva e organização criminosa, mas os dois inquéritos ainda aguardam o julgamento de recursos."

Portanto, foi um feito político/pessoal de Arthur Lira? Claro que sim.  

Mas, calma minha gente, o jogo está sendo jogado, ainda não foi concluído. 2022 tá logo ali, porém, ainda está lá, adiante, no futuro.

Quanto aos problemas políticos e jurídicos, processos e decisões tomadoas podem afetar simplesmente tudo.

EM TEMPO: 

Ainda na reportagem do Estadão, Pierpaolo Bottini,  advogado de Arthur Lira, defende uma tese bem interessante. Leia abaixo:

“Se levar ao extremo isso, ninguém que está com ação penal em andamento poderia ser candidato a presidente da República. Se não posso estar na linha sucessória, não posso também ocupar o cargo sob qualquer aspecto.”

Bottini aponta que um presidente da República é afastado do cargo quando é colocado no banco dos réus por crimes cometidos no exercício do mandato. Os processos referentes a atos cometidos antes de assumir a chefia do Executivo, por sua vez, são paralisados.

“Vamos supor que Arthur Lira se candidatasse a presidente da República e assumisse a Presidência pelo voto popular. Estas ações penais em andamento (no STF) seriam suspensas".