O dia 15 de dezembro foi a data escolhida para ser comemorado o Dia da Mulher Advogada. Ao CadaMinuto, a advogada Julia Nunes, presidente da Associação AME, afirma que, embora seja válido comemorar os avanços que as profissionais da advocacia conquistaram através de muita luta ao longo dos anos, ainda existem desafios que precisam ser vencidos.
No Brasil, na área da advocacia, cerca de 45% dos profissionais são mulheres, de acordo com o quadro de advogados da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Contudo, ressalta Julia, a disparidade na prática é maior, apesar deste número “proporcional”. “Se não existisse a necessidade da valorização do trabalho da mulher advogada, nós não teríamos uma data como essa, tão importante”.
Ela menciona que ainda há dificuldade de mulheres atingirem o topo da carreira. Em Alagoas, os nomes mais conhecidos, tanto do âmbito da criminalística quanto do cível, são predominantemente de homens.
“Nós, mulheres, ainda estamos na massa. Não ocupamos as cadeiras altas ainda. No estado de Alagoas, nós nunca tivemos uma mulher nomeada desembargadora, por ser advogada e por ter assumido a Ordem dos Advogados do Brasil”, destacou Nunes.
A mulher sempre precisou dar nome a alguma coisa para poder ter o seu direito preservado, por exemplo, feminicídio, poderia ser homicídio da mulher, mas a nomenclatura é diferente, pois vai dar ênfase ao que nós precisamos, explicou a advogada.
Advocacia durante a pandemia
Durante o período de isolamento social, o número 180, usado para denúncias de violência contra a mulher, recebeu um aumento de 40% no número de chamadas, segundo dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMDH). Julia explica que o trabalho da Associação AME duplicou durante a pandemia. Com o aumento da violência doméstica durante o período de isolamento social, o número de mulheres que recorreram à associação cresceu também.
"Os casos mais recorrentes no dia a dia são violência física e psicológica, mas os que constam nos dados são os de violência física, porque é o que faz com que a mulher realmente vá a uma delegacia para formalizar", acrescenta.
O trabalho é realizado por uma equipe multidisciplinar, composta por profissionais de diversas áreas que ajudam a mulher a superar a situação de violência que sofreu. A AME disponibiliza atendimento médico, psiquiátrico, odontológico, e realiza a recuperação dos danos físicos provenientes da violência.
“Agora, a gente tem a médica da mulher, que é um especialista na área, trabalhando também o íntimo, porque a gente sabe que muitas mulheres sofrem violência sexual, pois são forçadas a ter relação sexual sem camisinha e pegam as DSTs”, disse a presidente.
*Estagiários sob supervisão da editoria
