Ferramentas e campanhas incentivam participação das mulheres na disputa eleitoral deste ano

Vanessa Alencar e Gabriela Flores |

Lançadas nacionalmente, iniciativas para incentivar candidaturas femininas no pleito eleitoral deste ano, estimular os eleitores a votarem em mulheres e combater candidaturas laranjas encontram eco também em Alagoas, onde 66,8% dos candidatos às vagas nas prefeituras e câmaras municipais são homens, contra 33,2% de mulheres. 

Os dados locais seguem o padrão do país, que tem 33,3% de candidaturas femininas na disputa para prefeita, vice-prefeita e vereadora. Em 2016 a porcentagem de mulheres no pleito foi 31,9% e, em 2012, 31,5%.  

Buscando aumentar esse crescimento, ainda considerado baixo, a Câmara dos Deputados, por meio da Secretaria da Mulher, lançou a cartilha Mais Mulheres na Política – Eleições 2020. Outra iniciativa foi o manifesto #FundoPorElas, no qual 12 entidades ligadas aos direitos das mulheres  discutem meios de assegurar e direcionar o percentual mínimo legal de 30% dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha para eleger mais candidatas. 

Em Alagoas, a deputada estadual Jó Pereira, do MDB, é uma entre as políticas que atuam na linha de frente para incentivar que mais mulheres ocupem espaço na política. No dia 22 de outubro, durante um evento online do coletivo suprapartidário Vote Nelas (uma das entidades responsáveis pelo #FundoPorElas), a parlamentar destacou que o desafio da atual geração de mulheres é ocupar esses espaços, inclusive nos diretórios partidários. 

Segundo Jó, o equilíbrio entre homens e mulheres na política é essencial para garantir avanços em todas as áreas e para fortalecer a democracia.  

“Participem como mulher. Não tenham medo. As pessoas estão ansiosas por lideranças como nós, por inovação na política. Busquem espaço dentro dos partidos, se imponham e não desistam. Não tenham medo de perder, participem do jogo de forma honesta, com empatia, diálogo construtivo, propostas transformadoras e lutem pelas nossas causas, porque nós somos as principais atingidas pela carência de políticas públicas”, respondeu a deputada, ao ser questionada sobre um conselho para mulheres que estão na disputa eleitoral ou sonham entrar na política.  

 

Outras iniciativas 

Co-fundadora do Vote Nelas, a administradora Maisa Diniz destacou duas importantes ferramentas que podem ajudar as candidatas. A “72 Horas” (https://72horas.org/) é uma plataforma que informa, com base nos dados do TSE, os valores repassados pelo Fundo Partidário e pelo Fundo Especial de Financiamento de Campanhas (FEFC) para candidatos de todo o Brasil. 

A outra plataforma disponível é a Im.pulsa Voto (www.impulsa.voto), espécie de guia gratuito com vídeos e materiais diversos para treinar e inspirar campanhas eleitorais de mulheres. A ferramenta, sem vínculos partidários, é uma iniciativa do Instituto Update e #ElasNoPoder, com participação de outros grupos e entidades. 

A Im.pulsa oferece gratuitamente conteúdo prático, guias, ferramentas, videoaulas e estudos de caso para garantir a formação política de mulheres, sejam elas candidatas, integrantes de equipes de campanha ou demais interessadas. 

 

Jornada da Candidata 

Em março deste ano, pouco antes do isolamento social decorrente da pandemia do novo coronavírus, centenas de mulheres de diversas correntes partidárias e ativistas de Alagoas, do Nordeste e do país participaram, em Maceió, de um evento organizado pelo gabinete de Jó Pereira, sobre mulheres na política.  

A jornalista Adriana Mendes apresentou os resultados da Jornada da Candidata, pesquisa nacional realizada pelo Vote Nelas, na qual foram ouvidas mulheres, em 16 estados, que disputaram cargos eletivos nas eleições em 2016 ou 2018. Entre os números citados, Adriana destacou o fato de que 41% das entrevistadas alegaram como principal motivo que leva uma mulher a não se candidatar para um cargo político a falta de apoio dos partidos. (A pesquisa na íntegra está disponível no http://votenelas.com.br/). 

Um perfil das prefeitas no Brasil também foi apresentado na ocasião. Segundo Marina Barros, do Instituto Alziras, proporcionalmente Alagoas é o terceiro estado do país com mais prefeitas (21), perdendo apenas para Roraima e Rio Grande do Norte.  

 

Instituição do Direito e Voto da Mulher 

Na próxima terça-feira, dia 3 de novembro, completa 90 anos do Direito e Voto da Mulher no Brasil, instituído pelo então presidente da República, Washington Luís (1869-1957). 

O primeiro voto feminino no Brasil foi registrado na cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte, no ano de 1927. No entanto, no país, a liberação efetiva do voto das mulheres foi feita por Getúlio Vargas, desde que as eleitoras fossem casadas e estivessem munidas de autorização do cônjuge, ou viúvas e solteiras com renda própria.  

Felizmente, em 1934, o Código Eleitoral cancelou todas as restrições e 12 anos depois, em 1946, o voto se tornou um direito também de todas as mulheres. 

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