Foto: TFR-1
Kassio Nunes

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) confirmou, na noite de hoje, o nome de Kassio Nunes Marques como o novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e disse que a indicação será publicada amanhã. Para assumir a vaga, Kassio ainda será sabatinado pelo Senado.

"Amanhã será publicado o nome do Kassio Marques para a nossa primeira vaga [no STF]. Temos pressa nisso", disse Bolsonaro, durante live semanal realizada nas redes sociais. "E a segunda vaga será para um evangélico, Tá certo?", prometeu, em seguida.

Bolsonaro indicou para ministro do STF o desembargador Kassio Nunes, do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), na vaga que será aberta com a aposentadoria do ministro Celso de Mello no próximo dia 13.

A escolha surpreende por não ser um dos nomes que estavam na chamada lista de apostas para uma cadeira no STF.

"Vamos supor que estive escolhido o André [Mendonça, ministro da Justiça e Segurança Pública]. Não está descartado. André está na fita, Jorge está na fita. Vou falar os dois nomes porque estão ligados a mim. Tem mais gente na fita? Tem", pontuou Bolsonaro.

Em seguida, Bolsonaro também falou sobre a pressão que sofrera de apoiadores, no ano passado, para a indicação de Sergio Moro para o STF.

"O ano passado todo até mais ou menos abril desse ano vocês queriam quem para o Supremo? Me acusavam! O Sergio Moro. Me ameaçavam no Facebook o tempo inteiro. 'Se não for o Sergio Moro para o Supremo, acabou! Acabou, acabou!' Agora, você quer que eu troque o Kassio pelo Sergio Moro? E daí? Quer que eu faço o quê? O famoso 'e daí?' Querem o Moro para o Supremo, vai ser leal a nossas causas? Vai ser aprovado no Senado Federal?", ressaltou.

Sobre Kassio Nunes, Bolsonaro rebateu boatos de que ele seria desarmamentista e disse considerá-lo uma pessoa de "família".

"Falam que ele é desarmamentista, tem nada a ver. Ele é católico, é família e tenho certeza que vão gostar do trabalho dele no STF. Quem indica para o Supremo não sou eu, é o Senado Federal. Eu pego por exemplo aqui nosso prezado ministro Tarciso para o Supremo. Chega no Senado, o nome dele é rejeitado.".

Interesse de conservadores

O presidente Bolsonaro também justificou o desejo de indicar um evangélico para a próxima vaga do STF. Segundo ele, a pessoas indicada terá que votar de acordo com as suas convicções e interesses de conservadores. 

"Por que evangélico? Porque tenho um tremendo respeito por mais de 30% de evangélicos no Brasil, acho que tem que ter uma pessoa lá dentro", disse.

 "Quando falavam que tem que ter um negro, uma mulher ninguém falava nada. Quando fala que tem que ter um evangélico... Mas não é porque é evangélico apenas, tem que ter conhecimento de causa, tem que transitar em Brasília, conhecer gente no Supremo, no Parlamento. Quero colocar uma pessoa lá que não é para votar certas coisas e perder por 10 a 1, tudo. Quero que essa pessoa vote de acordo com suas convicções, interesses dos conservadores, mas que busque maneiras de ganhar alguma coisa lá também", completou.

Quem é Kassio Nunes

 Atualmente desembargador federal no TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), Nunes começou a carreira jurídica na advocacia. Como advogado, foi indicado em 2008 a uma vaga de juiz do TRE-PI (Tribunal Regional Eleitoral do Piauí). 

Em 2011 tomou posse como desembargador federal do TRF-1, nomeado pela então presidente Dilma Rousseff (PT), após ser indicado ao cargo em lista sêxtupla elaborada pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

Ele é natural de Teresina e se formou pela UFPI (Universidade Federal do Piauí).

O desembargador foi responsável pela decisão que em maio do ano passado liberou a licitação do STF que previa a compra de itens considerados de luxo como lagosta e vinhos premiados. O pregão estimado em R$ 1,1 milhão tinha sido suspenso por decisão de primeira instância da Justiça Federal do Distrito Federal.

Em sua decisão, Nunes considerou que a licitação não seria "lesiva à moralidade administrativa" e ponderou que os itens não serviriam à alimentação dos ministros, mas a eventos institucionais realizados pelo tribunal com a presença de autoridades.