"Quando perde a confiança, não tem mais o que fazer". Foi com essa frase que o governador Renan Filho encerrou a reunião da Executiva Estadual do MDB, na tarde desta sexta-feira (25), na sede do partido, em Maceió. A reunião extraordinária, comandada pelo senador Renan Calheiros, foi convocada para a dissolução da legenda, em Arapiraca.

Essa foi a solução inusitada encontrada pela cúpula do Movimento Democrático Brasileiro (MDB/AL) para a primeira parte do episódio que envolveu o lançamento da pré-candidatura do vice-governador, Luciano Barbosa, ao cargo de prefeito de Arapiraca, considerado uma ‘decepção’ para a Executiva em Alagoas. O segundo ato será neste sábado (26) – até às 19h - com a indicação e registro de outro nome para as eleições 2020. 

Na verdade, o que os ‘donos do MDB’ querem é evitar que Luciano seja candidato a prefeito e deixe o cargo de vice-governador, caso vença as eleições, já que existe (ou existia) um acordo para que Barbosa assuma como governador, no início de em 2022, quando Renan Filho renunciará para concorrer ao cargo de senador. Se o Estado ficar sem vice, o presidente da Assembleia Legislativa (ALE) pode assumir o cargo e o MDB perderia o poder. Simples assim. 

O deputado federal Isnaldo Bulhões, representante do Diretório Nacional do MDB, afirmou que a Executiva Estadual cumpriu rigorosamente o estatuto da legenda e que a candidatura de Luciano Barbosa não interessa ao partido, neste momento. Disse ainda que se essa era a pretensão dele que não tivesse aceitado ser vice-governador na chapa de Renan Filho em 2018. 

“Não é possível ser candidato contra o partido. A candidatura pertence ao partido. Se Luciano queria ser candidato a prefeito, não tivesse disputado como vice-governador. Ele também poderia ter mudado de partido, mas não o fez, O fato é que não interesse ao MDB a candidatura de um vice-governador, um cargo majoritário, nas eleições municipais de Arapiraca”, disse.

 A dissolução do diretório do MDB de Arapiraca, que tinha como presidente o ex-vereador José de Macêdo, foi coordenada pelo relator José Wanderley e aprovada pelos 39 membros do Diretório Estadual presentes. A sessão foi presidida pelo senador Renan Calheiros e teve participação do advogado Fábio Gomes, que representou Luciano Barbosa.

O fim da novela pode estar perto, mas resta saber se os protagonistas ainda estão dispostos a assumir o papel, após as ultimas cenas. O MDB poderá confirmar o registro de Ricardo Nezinho e Daniel Barbosa (filho de Luciano) como candidatos a prefeito e vice, respectivamente ou ir para o plano B, apenas para garantir seus candidatos proporcionais (vereadores). Neste caso, surgem nomes como o vereador Léo Saturnino, o ex-vice-prefeito Yale Fernandes, o ex-superintendente de interiorização e radialista Josenildo Souza e até o ex-prefeito Severino Leão, todos fiéis representantes da cartilha emedebista.