Tradicionalmente realizada no mês de setembro em Maceió, a Feira da Reforma Agrária organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Alagoas, chegaria a sua 21ª edição no ano de 2020. Com as limitações impostas pela pandemia da Covid-19, o Movimento realiza durante o dia de amanhã (25) uma série de atividades online, para marcar o período e debater com a sociedade sobre a produção de alimentos saudáveis.

         A programação conta com dois seminários transmitidos ao vivo pelas redes sociais do MST. Iniciando às 10 horas, o primeiro debate “A Questão Agrária e Urbana: desafios e a luta popular no campo e na cidade", conta com a participação do professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), o geógrafo Marco Mitidiero, a coordenadora do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Eliane Silva e Débora Nunes, da coordenação do MST.

         No período da tarde, a atividade inicia a partir das 15 horas com mais um debate sobre as ações de solidariedade no período da pandemia, com a presença de Paulo Mansan, da Campanha Periferia Viva e do MST Pernambuco, Nicole Maria, da Casa do Congresso do Povo e da integrante do Centro de Estudos e Pesquisa Afro (CEPA) Quilombo, Sirlene Gomes.

         Após a realização dos debates, a programação apresenta ainda a versão online do também tradicional Festival de Cultura Popular que, a partir das 19 horas, leva uma diversidade de atrações culturais para a transmissão ao vivo. Participam do Festival de Cultura Popular diversos artistas, entre eles o cantor Siba (SP), além dos cantores da terra Andréa Laís, Igbonam Rocha, Rogério Dyaz, Júlio Uçá, Trio Nó Cego, Banda Nação Palmares e Bento Forrozeiro, cantor assentado da Reforma Agrária na Zona da Mata de Alagoas.

 

         Já a tradicional feira de alimentos saudáveis vindo dos acampamentos e assentamentos do MST em todas as regiões do estado, vão ficar por conta da comercialização das Cestas da Reforma Agrária, que serão lançadas durante a programação online da Feira.

         “A gente não poderia passar o mês de setembro sem relembrar a ocupação que todos os anos os camponeses e camponesas fazem em Maceió com os frutos da luta pela terra”, destacou Débora Nunes, do MST. “Ainda não conseguiremos fazer a Feira como estamos acostumados e como a população de Maceió gostaria, mas esperamos em breve realizar mais uma edição desse momento de encontro entre campo e cidade”.

         De acordo com Débora, mesmo com a ausência do Movimento no mês de setembro na Praça da Faculdade, local onde tradicionalmente a Feira é realizada, os agricultores e agricultoras continuam demonstrando na capital Maceió a força e a importância da Reforma Agrária e da produção de alimentos saudáveis.

  “Ao longo dos últimos meses partilhamos com as periferias de Maceió cerca de 70 toneladas de alimentos vindo das roças dos homens e mulheres que fortalecem a luta pela terra e pela Reforma Agrária em Alagoas”, explicou Nunes. “A solidariedade, assim como a Feira, foi mais um local de encontro com o povo de Maceió que, por mais um ano, abraça e fortalece a luta dos Sem Terra”.