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Fernando Pereira lança candidatura a prefeito de São Miguel dos Campos

Nas eleições de 2020, os Pereira – que contam com o comando de prefeituras como Campo Alegre (Pauline Pereira) e Teotônio Vilela (Joãozinho Pereira) – querem ampliar as forças e entraram na eleição de São Miguel dos Campos. O candidato é um dos irmãos: o ex-secretário estadual Fernando Pereira (Progressistas).

O grupo, que conta com uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas, a deputada Jó Pereira (MDB), demonstrou ter um palanque eclético na disputa por São Miguel dos Campos. Fernando Pereira conta com o apoio dos senadores Rodrigo Cunha (PSDB) e Fernando Collor de Mello (PROS), além do ex-senador Benedito de Lira (Progressistas). 

Para quem lembra da eleição de 2018, Fernando Collor ensaiou disputar o governo estadual em uma chapa que tinha o PSDB e o PP. Rodrigo Cunha se afastou – naquele momento – desses dois nomes e fez uma campanha solitária, não querendo subir no palanque nem com Collor e nem com Lira. A ausência de apoio do próprio grupo fez Collor desistir da disputa e ser substituído pelo ex-delegado da Polícia Federal, José Pinto de Luna.

Dois anos depois – em uma convenção partidária – os Pereira conseguiram colocar os três políticos no mesmo palanque, ainda que Cunha tenha participado de forma “virtual”, por meio de um vídeo gravado. Fernando Pereira aglutinou as três forças. Não sei se outra candidatura, pelo Estado de Alagoas, tenha o apoio do trio formado por dois senadores e um ex-senador. Todavia, a presença dos três em um único palanque é algo inusitado. Ainda mais quando Jó Pereira é representante do MDB, que tem em seus quadros o senador Renan Calheiros.

Fernando Pereira comandou a cidade de Junqueiro – outro reduto eleitoral dos Pereira – por dois mandatos. Agora, busca ser prefeito de São Miguel dos Campos. 

A presença da família Pereira na política alagoana é exitosa do ponto de vista dos sucessos eleitorais. Jó Pereira foi a deputada estadual mais votada, com mais de 53 mil votos. Pauline Pereira tem destaque no comando da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA) e Joãozinho Pereira se destaca como um dos grandes articuladores do grupo. 

Caso essa seja mais uma eleição de êxito para os Pereira, a família se torna um grupo político que pode mirar em 2022. O poder não deixa vácuo. Vale ressaltar que Jó Pereira – mesmo estando no MDB – tem uma postura de independência na Casa de Tavares Bastos e, por diversas vezes, assume até o papel de confronto a alguns pontos do governo Renan Filho (MDB). 

Faz uma oposição inteligente e com substância, apesar de pecar pelo excesso de progressismo e bandeiras politicamente corretas.

Ela é, atualmente, um dos nomes de maior visibilidade do grupo e pode – consequentemente – buscar algo bem maior que uma cadeira de deputada estadual. Portanto, o resultado do xadrez de agora pode definir um futuro mais distante.

Não se pode duvidar, ao observar determinados palanques que, como a Arca de Noé, eles (os palanques) são capazes de juntar os mais diversos exemplares de uma fauna, do poder de articulação dos Pereira para garantir aliados e, desta forma, terem peso político no cenário, ocupando aquele espaço em que fica claro o seguinte: qualquer composição em uma futura disputa pelo Executivo estadual e pelo Senado passará por diálogos com os Pereira. 

Quem assumirá missões maiores, a depender das eleições de agora, dentro desse grupo político? Bem, destaco uma frase do ex-deputado federal Givaldo Carimbão, durante o evento: “Acreditem: se for Pereira, qualquer um serve”. Particularmente, eu aposto que seria Jó Pereira a se credenciar para um voo maior… Justiça seja feita: ela vem conquistando esse espaço naturalmente.