Extra de Alagoas
Cícero Almeida

No cenário da disputa eleitoral em Maceió, os principais candidatos estão evitando o ataque ao presidente da República, Jair Messias Bolsonaro (sem partido). Alguns até ensaiam falar de uma aproximação com o governo federal que garantiria parcerias futuras caso eleitos.

O motivo é óbvio: Bolsonaro – conforme as recentes pesquisas de opinião pública – se encontra bem avaliado no Nordeste e, especialmente, na capital alagoana. 

Uma das pesquisas recentes mostra 62% de aprovação do presidente da República. Obviamente essa é uma das razões para até mesmo a chapa firmada entre o PDT e o PSB, encabeçada pelo candidato e deputado federal João Henrique Caldas, o JHC (PSB), evitar o discurso de oposição ao governo federal.

No cenário nacional, PSB e PDT se uniram para formar uma coalização de esquerda. Isso resultou em chapas em diversas capitais brasileiras, incluindo Maceió. 

O objetivo, no longo prazo, é uma aliança que possibilite uma base para a presidência em 2022. Ciro Gomes (PDT) – que disputou a eleição em 2018 – pensa em ser candidato a presidente mais uma vez. 

Atacar Bolsonaro também é algo impensável dentro do MDB de Maceió, mesmo com o senador Renan Calheiros (MDB) sendo um dos ferrenhos opositores do presidente da República. 

O candidato Cícero Almeida (Democracia Cristã) – que já comandou os destinos de Maceió e, quando era prefeito, já deixou claro sua admiração pelo ex-presidente Lula (PT) – também se posicionou como um “amigo do presidente”, durante a convenção que oficializou o seu nome.

O principal aliado de Almeida é o deputado estadual Antônio Albuquerque (PTB), que já teceu elogios a Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas. 

Em uma declaração repercutida pelo G1, Almeida disse o seguinte: “tem alguns candidatos que são inimigos ferrenhos do presidente da República. Sou amigo do presidente e dos filhos dele. Então tem essa facilidade, também sou amigo de três ministros do presidente e acho que isso vai facilitar a busca de recursos para reconstruir Maceió”. 

O discurso de Almeida foi semelhante ao de JHC que disse que, se eleito, a primeira agenda ia ser a aproximação com o governo federal e com o presidente da República. 

Na chapa do candidato a prefeito e deputado estadual Davi Davino (Progressistas), o canal com o presidente da República é o deputado federal Arthur Lira (Progressista). 

Bolsonaro já pontuou que não participará do processo eleitoral municipal no primeiro turno. 

Agora, é preciso reconhecer: o único dos candidatos que é bolsonarista desde eleições passadas é Josan Leite (Patriotas). Ele disputou – em 2018 – o governo do Estado de Alagoas pelo PSL, o antigo partido de Jair Bolsonaro. 

Pelo visto, se houver ataques a Bolsonaro eles só virão da esquerda mais vermelha, com o PSOL, que terá como candidata a ex-reitora da Universidade Federal de Alagoas, Valéria Correia; do PT, com Ricardo Barbosa ou da jornalista Lenilda Luna da Unidade Popular.