Foto: Cada Minuto / Bruno Levy
Catedral de Maceió

O número de candidaturas ligadas a igrejas e templos religiosos tem crescido ao longo das últimas campanhas eleitorais. Esse mudança é vista a nível nacional, onde atualmente tem uma bancada federal exclusiva religiosa, como também nos municípios essas representações ficam ainda mais visíveis. 

Nas eleições municipais deste ano, Maceió tem alguns candidatos que se apresentam como representante da igreja para aliar e buscar a conquista do voto. A cientista política, Luciana Santana, explica que apesar de o Brasil ser laico, ou seja, que não tem religião oficial,  “os políticos justificam muita coisa que votam, envolvendo religião”, acrescentou. 

Luciana lembrou ainda que a Lei Eleitoral proíbe que políticos ou até mesmo candidatos peçam votos nos templos, mas não há nada que impeçam os líderes pedir os votos dos fiéis ou dentro dos templos. “Há uma busca para que possam haver líderes religiosos e que eles possam dar andamento a essas pautas que são de interesse daquele grupo religioso”, afirmou a cientista. 

Representante da Arquidiocese de Maceió, o Cônego Walfran Fonseca, sintetiza que os partidos políticos têm a função de favorecer uma participação difusa e o acesso de todos às responsabilidades públicas. Os partidos são chamados a interpretar as aspirações da sociedade civil orientando-as para o bem comum, oferecendo aos cidadãos a possibilidade efetiva de concorrer para a formação das opções políticas. 

“Um âmbito particular de discernimento dos fiéis leigos diz respeito as escolhas dos instrumentos políticos, ou seja, a adesão a um partido e às outras expressões da participação política. É preciso operar uma escolha coerente com os valores, tendo em conta as circunstâncias efetivas. Em todo o caso, qualquer escolha deve ser radicada na caridade e voltada para a busca do bem comum”, colocou Walfran. 

Em 2016, o Arcebispo Dom Antônio Muniz baixou um decreto determinando afastamento de fiéis que faziam parte de algum cargo dentro da igreja para poder participar da eleição, mas este ano a movimentação política-partidária tem sido visível. 

 Para que pudesse representar a comunidade protestante, a reportagem também procurou por diversas vezes a igreja Assembleia de Deus em Alagoas, mas os representantes da denominação que poderiam atender a reportagem optaram pelo silêncio, diante dos questionamentos.