Reprodução Maceió Ordinário
Rodrigo Cunha

Desde as eleições estaduais de 2018 que afirmo que se há uma característica marcante no PSDB de Alagoas é o de conseguir ser “coveiro” de si mesmo. Reverter isso é a missão de Rodrigo Cunha caso tenha pretensões políticas de ser governador de Alagoas. Creio que tenha!

A sigla alcançou o auge político com o ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) e com o prefeito de Maceió, Rui Palmeira (ex-PSDB), ocupando os dois Executivos. Além disso, chegou a ter uma forte bancada na Assembleia Legislativa de Alagoas em tempos áureos.

Os tucanos ainda conseguiram a Prefeitura de Arapiraca e impuseram derrotas significativas ao MDB do senador Renan Calheiros e do governador Renan Filho. Porém, mesmo tendo eleito – no pleito passado – o senador Rodrigo Cunha (PSDB) e a deputada federal Tereza Nelma (PSDB), estarão na disputa municipal como meros coadjuvantes, muito provavelmente ao lado do deputado federal João Henrique Caldas, o JHC (PSB).

Em 2018, o prefeito Rui Palmeira – quando ainda era um tucano – não conseguiu capitanear a oposição ao MDB na disputa pelo governo estadual. Ao anunciar, às vésperas daquela eleição, que não seria candidato a nada e continuaria na gestão municipal, Rui Palmeira terminou por desarticular o grupo, que ficou sem cabeça.

O erro de Rui não foi não ter sido candidato. Essa era uma posição legítima, ainda mais tendo dois anos de mandato, como prefeito, pela frente. O erro foi desarticular o grupo de oposição ao MDB.

O papel de articulador da oposição acabou nas mãos do deputado federal Arthur Lira (PP), que conseguiu sua reeleição. Porém, os pepistas amargaram a derrota do ex-senador Benedito de Lira (PP).

O êxito de Rodrigo Cunha, naquele pleito, não pode ser atribuído ao partido. Pois, em sua eleição, Cunha tomou a clara decisão de correr por fora, ainda mais quando – inicialmente – a cabeça da chapa na qual os tucanos estavam era o atual senador Fernando Collor de Mello (PROS). O tucano também não queria ser visto ao lado de Benedito de Lira.

Collor desistiu da disputa por falta de apoio e o grupo – capitaneado pelo PP – colocou o ex-delegado da Polícia Federal, José Pinto de Luna, para disputar uma eleição para o governo do Estado que já era perdida. Resultado: um passeio do emedebista Renan Filho, que conseguiu retornar ao Palácio República dos Palmares sem precisar se esforçar muito.

Passada a eleição, o senador Rodrigo Cunha e o prefeito Rui Palmeira entraram em rota de colisão. O motivo: Palmeira não aceitava que os tucanos apoiassem João Henrique Caldas na disputa pela Prefeitura Municipal. Palmeira até insistiu no discurso de que o PSDB deveria ter candidato próprio. O problema é que o “ninho tucano” não tinha nome, uma vez que o chefe do Executivo municipal ajudou a enfraquecer a oposição e não tinha sucessor. Cunha, por sua vez, não abria mão da aliança com JHC. A parceria entre os dois já havia sido firmada nas eleições de 2018, quando um se elegeu para o Senado e o outro para a Câmara dos Deputados.

Diante disso, Rui Palmeira saiu do partido. A conjuntura política fez com que Rui Palmeira e Renan Filho tivessem que se aliar ao redor do nome de Alfredo Gaspar. Vale lembrar ao eleitor que – aqui nesse blog, em passado recente – indaguei o prefeito sobre a possibilidade de uma união com Renan Filho. Ele respondeu, na época, o seguinte: “só uma criança vai acreditar na possibilidade dos Calheiros se unirem comigo em um grupo político”.

Rui Palmeira – que foi ativo na campanha “Renan não” (com foco no senador Renan Calheiros), em 2018 – agora é aliado político de Renan Filho e se encontra fora do ninho tucano. Desde então, o partido só perdeu lideranças e hoje conta apenas com a expressividade de Rodrigo Cunha e da deputada federal Tereza Nelma. Como o senador Rodrigo Cunha é o dono da baqueta, em Maceió só cabe a opção da aliança com quem Cunha indicar.

Rodrigo Cunha é o cacique e ponto final!

O que restou ao PSDB? Assumir um discurso que engrandeça o seu papel de coadjuvante depois de ter sido protagonista na política alagoana. Como fará isso, indicando a participação feminina na chapa que disputará a Prefeitura de Maceió. É o discurso com o qual vai se vender, como se observa na mais recente nota oficial divulgada pela legenda.

Isso fortalece a deputada Tereza Nelma, pois essa sempre foi uma de suas bandeiras na trajetória política, e atende ao xadrez político de Rodrigo Cunha. Para o deputado federal JHC – em se consolidando a união – é também importante, pois constrói uma chapa com um discurso interessante: o jovem deputado de destaque e uma liderança feminina ao seu lado. Caso tenha êxito, o PSDB pode se renovar e fortalecer o caminho para que o senador tucano concorra ao governo do Estado em 2022.

Cunha – ao apostar em JHC – pode fazer de um partido que fez questão de se tornar “nanico” uma legenda forte para 2022. Essa é a aposta.

Claro, é preciso combinar com o eleitor.