Em uma live realizada na noite desta terça-feira (02), no YouTube por um grupo de médicas e médicos suprapartidários em defesa da democracia e da saúde pública, a médica hematologista, Luciene Alencar, demostrou preocupação na distribuição de kits composto por medicamentos diversos, para pacientes que testaram positivo para Covid-19. 

Durante sua fala, a especialista disse, “fico preocupada com a atitude dos prefeitos que estão distribuindo sacolinhas de remédio em cidades do interior de Alagoas”. 

Ainda segundo a profissional da saúde, “do mesmo jeito que o teste rápido negativo pode dar uma falsa segurança ao paciente, a sacolinha de remédio distribuídas em algumas cidades também pode”. 

É bom relembrar que nas cidades de Maragogi e Cajueiro, os gestores anunciaram a distribuição de uma “sacolinha” de medicamentos visando combater o avanço do novo coronavirus. A prefeitura de Cajueiro, chegou a anunciar nas redes sociais, a distribuição do composto batizado de “água sagrada” pelo prefeito do município, Palmery Neto.

O kit é formado por três medicamentos, cloroquina, azitromicina e nitazoxanida, que é tradicionalmente conhecido como Annita, e que não têm comprovação cientifica como eficaz para o tratamento da Covid-19.

Luciene pontuou ainda que o momento em que vive o estado de Alagoas é para que possa haver uma busca ativa por pacientes que requer um monitoramento, entretanto o desmonte do Programa de Saúde da Família (PSF), faz com que esse trabalho de prevenção e acompanhamento de cada paciente possa se tornar ainda mais difícil, proporcionando desta forma, com que o colapso no sistema público de saúde possa se tornar cada dia mais próximo.

“Os efeitos do desmonte do Programa de Saúde da Família (PSF), vão surtirem efeito agora, é preciso equipes que possam identificar o caso suspeito, fazer o isolamento adequado, monitorar, orientar e evitar que ele contamine outras pessoas. Isso sim será essencial para contenção e para que possamos evitar esse colapso que é temido por todos”, disse a médica. 

Em contrapartida, a médica e integrante do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Alagoas (COSEMS/AL), Sylvana Medeiros, que também esteve participando do debate, esclareceu que os municípios apesar de enfrentarem dificuldades, estão buscando realizar os monitoramentos e deixar isso de forma transparentes em seus boletins diários. 

“Destaco até que existem municípios aqui no estado que possuem unidades sentinelas para que possam contribuir nesse desafogamento do sistema público de saúde de nosso estado”, disse a gestora. 

Vale destacar que estás unidades citadas pela médica Sylvana Medeiros, são de atendimentos exclusivos para pessoas com sintomas gripais.

*Sob supervisão da editoria