Dados do Programa de Identificação e Localização de Pessoas Desaparecidas de Alagoas (Plid/AL) apontam que 33,63% dos desaparecidos em Alagoas são crianças e adolescentes. De acordo com o Ministério Público Estadual (MPE/AL), entre os anos de 2018 até maio de 2020, o Plid/AL contabilizou 996 desaparecimentos. No Brasil inteiro, também no último biênio, os números somam 82 mil pessoas que sumiram e, desse total, 40% são crianças e adolescentes.
O alerta feito pelo Ministério Público, nesta segunda-feira (25), Dia Internacional das Crianças Desaparecidas, chama atenção para um dado: quase mil famílias, somente nos dois últimos anos, apontam os dados oficiais, têm algum parente que desapareceu e nunca mais foi encontrado. E quase 60% dessas vítimas são do sexo masculino.
Em razão isso, o Núcleo de Direitos Humanos do MPAL reforça a importâncias da população registrar esse tipo de ocorrência no Programa de Identificação e Localização de Pessoas Desaparecidas de Alagoas (Plid/AL) que, agora em 2020, contou com um reforço importante em prol dessa causa, o Clube de Regatas Brasil (CRB).
O Plid/AL foi concebido em 2018 a partir da preocupação do Ministério Público Estadual de Alagoas com centenas de família alagoanas que enfrentam a dor de ter um parente desaparecido. “O programa tem a missão de permitir que cidadãos desaparecidos possam ser encontrados por suas famílias ou, que estas, pelo menos, tenham a chance de se despedir deles com o mínimo de dignidade. Com dois anos de existência, ele chegou a Alagoas depois que assinamos o acordo de cooperação técnica com o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), que criou o Sistema Nacional de Localização e Identificação de Desaparecidos no âmbito do Ministério Público brasileiro (Sinalid)”, explicou o procurador-geral de justiça, Márcio Roberto Tenório de Albuquerque.
Segundo a coordenadora do Núcleo de Direitos Humanos do MPAL e do Plid/AL, promotora de justiça Marluce Falcão, quando a instituição soube da existência do Sinalid, de imediato buscou as tratativas necessárias para trazê-lo aqui para o estado. “O Ministério Público não poderia ficar parado diante dessa problemática e enxergou no Plid um caminho resolutivo para combater os índices oficiais de pessoas desaparecidas. Já conseguimos localizar muita gente e acreditamos o programa é importante mecanismo que pode reacender a esperança para as famílias que sofrem com a ausência inesperada de seus parentes”, disse ela.
Número de registros de desaparecimento
Entre os anos de 2018 até maio de 2020, o Plid/AL contabilizou 996 desaparecimentos. No Brasil inteiro, também no último biênio, os números somam 82 mil pessoas que sumiram e, desse total, 40% são crianças e adolescentes. Aqui no estado, os menores de idade representam 33,63%.
“O desaparecimento de pessoas é um grave fenômeno que atinge centenas famílias no estado de Alagoas, tornando-se uma violação de direitos humanos que reclama ações resolutivas visando o conhecimento e busca de soluções. E quando as vítimas são crianças, que não conseguem se defender sozinhas, aí é que a situação se torna ainda mais preocupante”, alertou o promotor de justiça Ubirajara Ramos, que coordena o Núcleo de Defesa da Criança e do Adolescente e é subcoordenador do Plid/AL.
Dos quase mil desaparecidos em Alagoas, 59,34% são homens e 39,46% são mulheres. E quando a segmentação é feita por cor, as famílias informaram que 76,34% são pardos, 17,38% são brancos, 4,95% são pretos e apenas 1,34% são amarelos.
E, somente ano passado, o programa instaurou 742 sindicâncias de desaparecimento, tendo conseguido encontrar 146 vítimas. “O tempo é o nosso maior aliado no êxito em encontrar uma pessoa desaparecida, portando, a rede de busca do Plid/AL age tão logo toma conhecimento do fato e, no caso de criança ou adolescente desparecido, a Lei nº 13.812, de 16 de março de 2019, determina que a busca seja imediata”, informou Marluce Falcão.
*Com informações da Assessoria.
