A Associação Comercial de Alagoas solicitou do Governo Estadual e a Prefeitura de Maceió um balanço dos efeitos obtidos pelo último decreto, que perdeu validade no dia 05 de maio. A entidade vem atuando em parcerias com outras associações ligadas ao comércio para buscar medidas de minimizar o impacto negativo da crise provocada pelo coronavírus. 

Em entrevista ao CadaMinuto, o representante da Associação, Kennedy Davidson Pinaud enfatiza que com o fechamento do comércio local é preciso que seja revisto alguns pontos sobre a comercialização que vem sendo realizada pelos grandes supermercados, que além da venda de alimentos fazem a venda de roupas, eletrodomésticos e outros itens. 

Os grandes supermercados estão sendo centros de aglomeração. Na sua avalição seria necessário medidas específicas para o setor?

Acredito que as grandes redes deveriam atuar apenas com a venda de alimentos e material de limpeza. Não é justo que essas unidades vendam roupas, calçados, eletrodomésticos e móveis enquanto as lojas especializadas estão fechadas devido ao decreto. É uma concorrência desleal e que prejudica o mercado local.

São estabelecimentos essenciais para população, mas em casos de descumprimento das normas deveriam ser autuados?

São essenciais sim, mas toda e qualquer empresa tem que respeitar a lei. Se o decreto exige limpeza com álcool, medição de temperatura, protetores nos caixas, distanciamento e estacionamentos com capacidade de apenas 50% eles tem que preparar funcionários e cumprir. No entanto, temos visto filas quilométricas nas grandes redes de supermercado e quase nenhum controle na hora da entrada ou dentro das unidades. Se não cumprir tem que autuar mesmo.

Avalia que a fiscalização tem sido frouxa para essa setor, tanto em grandes supermercados, quanto em mercadinhos de bairros?

Temos que intensificar a fiscalização. Os grandes que descumprirem precisam ser notificados e até mesmo multados. As mercearias de bairro também precisam seguir esses padrões de segurança. Se tem fila, concentração e não tem controle corremos riscos de aumentar a pandemia. Estamos falando em saúde, em proteção e cuidados. Então não tem justificativa cobrar de uns e esquecer os outros.

Qual seriam outras alternativas que na sua visão neste momento dariam certo para que possam serem aplicadas em supermercados e mercadinhos?

Conscientização maior dos proprietários e dos funcionários. O comércio não pode ser um vetor de expansão do vírus. As lojas dos empresários que fazem parte da Associação Comercial estão tomando esses cuidados exigidos no decreto. Não queremos ter que viver um período de lockdown e para isso estamos atuando conjuntamente. Inclusive, solicitamos ao governador Renan Filho e ao prefeito Rui Palmeira para que já na próxima segunda-feira seja feito um balanço dos efeitos deste último decreto.