Técnicos sanitaristas de Minas Gerais identificaram a presença da Covid-19 circulando no esgoto do estado. A análise, divulgada nesta segunda-feira (04/05), tem como objetivo identificar tendências e alterações na ocorrência do vírus, para entender a prevalência e a dinâmica de circulação e, assim, conseguir elaborar estratégias de contenção de transmissão. 

Na primeira pesquisa de campo foi detectada a presença da Covid-19 em oito de 26 amostras (31%). Dos resultados positivos, três foram colhidas na sub-bacia do Ribeirão Arrudas e cinco na sub-bacia do Ribeirão do Onça (Belo Horizonte e Contagem, em Minas Gerais). As coletas foram realizadas de 13 a 24 de abril de 2020. 

As coletas de amostras foram realizadas nas sub-bacias dos ribeirões Arrudas e Onça, que recebem os efluentes gerados por uma população urbana da ordem de 2,2 milhões de pessoas (cerca de 71% da população urbana de Belo Horizonte e Contagem). Do total de pontos monitorados, 22 são representativos do esgoto bruto gerado pela população e pelos hospitais de referência para o tratamento da COVID-19 nestas duas sub-bacias. Os outros dois pontos representam os efluentes das principais estações de tratamento de esgoto em cada sub-bacia.

Os pesquisadores envolvidos no estudo reforçam que “não há evidências da transmissão do vírus, ainda com potencial de causar a infecção, através das fezes (transmissão feco-oral)”. Com os dados obtidos, será possível saber como está a ocorrência do novo coronavírus por região, o que pode direcionar a adoção ou não de medidas de relaxamento consciente do isolamento social. 

O estudo terá duração inicial de 10 meses e é fruto de Termo de Execução Descentralizada (TED) firmado entre a Agência Nacional de Águas (ANA) e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Estações Sustentáveis de Tratamento de Esgoto (INCT ETEs Sustentáveis - UFMG), em parceria com o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM), a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG).