Após a saída do ex-juiz Sérgio Moro, o símbolo contra a corrupção, do cargo de Ministro da Justiça e Segurança Pública no governo Bolsonaro, o Cada Minuto conversou com o cientista político Gabriel Setti, que afirmou que “a saída do Moro quebra uma das espinhas dorsais do Governo Bolsonaro”.
O cientista político destacou ainda que além desse delicado momento em que vive o país, tanto no quesito saúde pública, quanto no quesito crise política, Bolsonaro enfrenta a dificuldade de articulação e relacionamento com os demais poderes.
“Em momento de crise, é importante ter um relacionamento positivo com os poderes e ele tem pouquíssimo bom relacionamento com a presidência do senado, com a presidência da câmara dos deputados e também com o Supremo Tribunal Federal (STF), o que acaba deixando tudo ainda mais complicado, tanto para o país, quanto para ele”, disse Gabriel.
Setti pontuou que o discurso de Bolsonaro em uma tentativa de reparar os danos causados por Moro, feito no final da tarde do mesmo dia, acabou sendo desconexo. “Bolsonaro trouxe questões que estavam fora do contexto, o pronunciamento dele naquele momento estava necessitando de esclarecimentos claros e seguros”.
Em uma rápida avaliação da imagem do presidente e de seu ex-ministro, Moro, há uma extensa diferença. “A imagem de Moro sai fortalecida, há quem comente que possa estar pronta até para uma possível candidatura em oposição a Bolsonaro”, disparou.
Questionado sobre a influência dos filhos de Bolsonaro na gestão, Setti ponderou que tem sido inevitável não enxergar que a família bolsonaro se tornou um clã. “A gente vê que os filhos de Bolsonaro tem carta branca para fazer indicações pessoais no primeiro escalão do governo, desde o início até agora”, finalizou.
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