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De repente, as políticas adotadas na últimas décadas através da globalização financeira, que acarretaram uma acumulação de fortunas jamais vista na humanidade, mostrou a sua verdadeira face aos cidadãos, através da pandemia do Coronavírus 19.

Toda a ideologia edificada pelo capital rentista global, que jamais investe na produção, desmoronou pelas mãos de um vírus que se espalhou pelos continentes, abalando, inicialmente, as nações mais ricas do planeta.

De tal forma, que nos últimos três meses os Estados Unidos, a grande potência econômica, militar do mundo, já tem quase 800 mil infectados pelo vírus e perto de 50 mil mortos. Enquanto a Europa está com um milhão de casos e 100 mil mortos pela pandemia.

A verdade é que as nações “civilizadas”, na Europa e os EUA, redescobriram que essa tragédia não acontece apenas em Países subdesenvolvidos e/ou emergentes, já que os atingiram em cheio.

As políticas de redução do papel estratégico dos Estados nacionais soberanos, o tal do “Estado Mínimo”, que prevaleceram como um mantra desde o final dos anos noventa passados, caíram por terra em poucos meses.

De repente, as rotineiras agendas, que pontuavam as discussões acadêmicas, nas redes sociais, determinando as pautas políticas e midiáticas globais, praticamente desapareceram.

As sociedades viviam sob uma luta sectária entre subdivisões de grupos sociais, que cada vez se subdividiam ainda mais, em uma espécie de slogan: cada um contra todos, e todos contra qualquer um.

Onde o que menos prevalecia era, ou ainda é, o bem comum, a tolerância, o espírito em comum de pertencimento social, a solidariedade em geral.

No entanto, um dos principais promotores, ideológicos e financeiros, dessas agendas, o megaespeculador global George Soros, momentaneamente, saiu discretamente de cena. Até agora.

Por um curto espaço de tempo, os magnatas do Mercado financeiro estiveram perplexos frente ao desastre sanitário e econômico que atingiu o planeta.

Mas, em seguida, vêm retomando a iniciativa, sabotando o espírito de solidariedade que surgiu entre as populações, as nações. Na Europa a usura financeira continua dificultando a ajuda necessária e indiscutível, à Itália, Espanha etc., sob o argumento que essas nações não cumpriram com os ajustes fiscais exigidos pela banca financeira europeia, quer dizer arrocho financeiro contra esses Estados e, especialmente, os trabalhadores dessas nações.

No Brasil, o discurso ultraliberal do presidente Bolsonaro, que não se aplica mais em lugar nenhum do mundo, insiste na falsa polarização: combate à pandemia versus a retomada da economia.

Suas atitudes, falas, vem num crescendo de um espírito totalitário que agride a constituição e as instituições do Estado nacional. Essa falsa polarização, mas real, vem sendo adotada em outros Países, como nos EUA.

A última pandemia, a gripe espanhola, em 1918, matou 50 milhões de pessoas no mundo, 102 anos atrás, e ceifou a vida de um presidente eleito, Rodrigues Alves, mas que faleceu antes de tomar posse.

Ao afirmar que temos que escolher entre o emprego ou o coronavírus, entre a vida ou o trabalho, Bolsonaro retoma o primado do ultra liberalismo ortodoxo do Estado mínimo neoliberal, inaugurado pela Primeira ministra britânica Margaret Thatcher, a dama de ferro, que desmantelou o Estado de bem estar social inglês.

Mas hoje as populações reconhecem os seus heróis: profissionais de saúde, bombeiros, trabalhadores em serviços essenciais, forças armadas etc.

Entendem o valor estratégico do Estado nacional, ao lado da iniciativa privada, vital à sobrevivência de suas próprias vidas. O alerta profético do historiador britânico Eric Hobsbawm, no final dos anos noventa passados, de que as novas gerações iriam viver em uma espécie de presente contínuo, foi verdadeiro. Quem sabe, essa tragédia acorde as sociedades.

O descaso para com as desigualdades sociais, econômicas, drástica redução, por décadas, de investimentos em infraestrutura, saneamento, habitações dignas, ciência, tecnologia e pesquisas avançadas, prevenção de pandemias, o sucateamento da saúde pública, são testemunhas irrefutáveis dessas políticas genocidas que resultaram, inclusive, na pandemia do corona vírus.

Disse um médico infectologista europeu ao ver alarmado o número de médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, auxiliares de enfermagem, infectados ou morrendo nessa batalha contra o Covid 19: Nós os queremos vivos, não mortos, essa é a razão do nosso afeto e aplausos, em todo mundo, das janelas dos nossos confinamentos.