Sobe a taxa de desemprego, hospitais superlotam e a recessão é dada como inevitável, diante disso, governo norte-americano lança pacote trilionário para mitigar os efeitos da pandemia na economia
Depois da China, Espanha e Itália, os EUA são o novo epicentro da pandemia do novo coronavírus.
Com mais de meio milhão de casos confirmados e mais de 20 mil mortes, o país ultrapassou a Itália em abril e se tornou o primeiro no ranking de óbitos em função da doença respiratória grave provocada pela nova cepa do vírus.
Embora o presidente norte-americano, Donald Trump, tenha tentado relativizar o número de casos, atribuindo a quantidade aos testes feitos em massa, a situação no país é bastante crítica.
Com um sistema de saúde privado, o acesso não é para todos. Muitos não possuem condições de bancar o tratamento e os que podem bancar, lotam os hospitais.
Além disso, com a paralisação abrupta das atividades econômicas, a taxa de desemprego atingiu 4,4% e já são mais de 700 mil vagas cortadas devido à crise gerada pela rápida escalada da covid-19 no país e, segundo especialistas, ainda vai crescer mais.
A estatística põe fim a mais de nove anos de crescimento norte-americano. O governo já admite recessão e as bolsas de valores já estão sofrendo os efeitos da pandemia.
Pacote econômico
A situação é tão delicada que o governo lançou o maior pacote econômico da história para tentar conter o impacto econômico do novo coronavírus.
Com aprovação do Senado e da Câmara dos Representantes, foram injetados na economia US$ 2 trilhões. Corresponde, em reais, a cerca de R$ 10 trilhões, quantia maior que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2019, que foi de R$ 7,3 trilhões.
A expectativa é que esses estímulos gerem US$ 4 trilhões em atividades econômicas.
A ideia do governo norte-americano é inundar a economia com dinheiro e, assim, mitigar os efeitos da pandemia.
O que o pacote prevê
O objetivo do texto é beneficiar famílias, pequenas empresas e grandes empregadores, além do sistema de saúde e dos governos locais.
- Famílias – cada família de baixa renda receberá um aporte de US$ 1.200 mais um adicional de US$ 500 por filho, desde que atinja o teto de US$ 3 mil;
- Desempregados – extensão do seguro-desemprego em 13 semanas e valor semanal do benefício elevado para US$ 600 por quatro meses;
- Governos locais – aportes de US$ 150 bilhões para ações de combate à pandemia;
- Pequenas empresas – serão injetados US$ 350 bilhões na forma de empréstimos. As linhas de crédito terão condições favoráveis para garantir a manutenção de postos de trabalho;
- Indústria – US$ 500 bilhões para um fundo de ajuda às indústrias afetadas;
- Sistema de saúde – serão destinados US$ 100 bi para hospitais e sistema de saúde mais dinheiro adicional para outros gastos relacionados ao setor.
Recessão
Apesar das medidas do governo e do Federal Reserve (Fed), o Banco Central Americano, que anunciou a redução de um ponto percentual na taxa de juros, a recessão já é uma realidade nos EUA, segundo informações divulgadas pelo Bank Of America recentemente.
O mercado financeiro ainda está instável. A volatilidade da Bolsa de Valores dos EUA é um sinal de que a crise é mais séria do que o governo quer fazer acreditar.
Sendo o dólar, tradicionalmente, o ativo mais seguro em níveis globais, é natural que fique abalado à medida que os casos de covid-19 aumentam no país.
No entanto, o preço da moeda tem sofrido variações rápidas e importantes no meio da pandemia, tendo chegado a R$ 5,31.
As ações do mundo todo, especialmente as de commodities e as do setor aéreo são as que mais estão sendo afetadas pela crise, visto sua relação direta com a doença. Porém, o mercado financeiro ainda preserva certo otimismo em alguns setores.
A Kraft Heinz, por exemplo, apresentou alta nos preços de seus papeis nas últimas semanas. A empresa representa um terço da carteira de ações da Berkshire-Hathaway, conglomerado de Warren Buffet, produz alimentos embalados e há anos apresentava queda nas vendas.
Com a disseminação do novo coronavírus, os americanos começaram a estocar alimentos, alavancando as vendas.
Além do setor alimentício, empresas de e-commerce, por exemplo, cujos pagamentos podem ser feitos por transferências internacionais, dispensando o contato físico podem ser uma boa opção para este momento.
