O Dia Internacional da Mulher, diferentemente de outras datas comemorativas, não tem motivações comerciais. Ao contrário disso, a data tem raízes históricas, ligada ao movimento feminista de busca pela igualdade de condições de trabalho e salariais, fruto da luta das mulheres ainda no início do século XX.
Em 2020 a questão de igualdade de gênero ainda é pauta em todo mundo e na indústria do turismo não é diferente. A atividade que cresce a passos largos para protagonizar a economia alagoana também é feita por grandes mulheres que diariamente agregam ao segmento com profissionalismo, dedicação e muito trabalho, ao mesmo tempo em que enfrentam preconceitos e desigualdades.
Um destes exemplos da força feminina no turismo alagoano é de Danielle Novis, empreendedora que trabalha com o setor desde o fim da década de 90, quando atuava com abertura de negócios no Sebrae. De lá para cá, Dani - como gosta de ser chamada - já acumula experiência como consultora de marketing do Ministério do Turismo (Mtur), participando da construção da política nacional do setor, até a chefia da Secretaria de Estado do Turismo, onde atuou entre os anos de 2010 e 2015. Atualmente é presidente executiva do Maceió Convention Visitours e Bureau, entidade responsável pela atração de congressos e eventos para a capital alagoana.
“Depois da experiência no poder público voltei à iniciativa privada. Eu acredito que o setor de turismo é realmente capaz mudar a realidade dos Destinos e transformando o cenário econômico ele vai ter reflexo direto na da vida das pessoas. Isso me dá um prazer e uma realização muito grande. Enquanto mulher, acredito que o comprometimento e a humildade sempre foram essenciais para superar todas as barreiras”, pontua Dani Novis.
Ainda de acordo com a presidente executiva do Maceió Convention, o turismo é um segmento que tem acolhido a força de trabalho feminina. “Nós já tivemos mulheres ministras de turismo, ainda que em menor quantidade do que gostaríamos e precisamos, mas temos excelentes profissionais ocupando importantes espaços. A maior parte da área comercial da hotelaria, por exemplo, é feita por mulheres. Pessoalmente, me sinto honrada de ter ocupado lugares importantes neste contexto e ser reconhecida como uma profissional do setor pela experiência e comprometimento”, conta Dani.
Outro exemplo da força feminina no turismo vem de uma atividade agregada ao segmento, o artesanato. Mari Assis é artesã há cinco anos e já tem nove meses que comanda a Arte Dos Quatro Cantos, loja de artesanato e arte popular genuinamente alagoana localizada no bairro do Pontal da Barra, em Maceió. O trabalho dela promove a comercialização e divulgação dos produtos de 33 artistas. “Aqui eu reúno 49 artesãos, incluindo a mim. Destes, 33 são mulheres, a maioria destas são chefes de seus lares que complementam sua renda a partir do artesanato”, conta Mari.
Para a profissional, o segmento do turismo, do artesanato e da arte popular acabam sendo menos hostis com as mulheres. “O preconceito existe, sem dúvida alguma, mas costumo dizer que sou empoderada desde os 17 anos de idade. Este instinto feminino de abraçar a casa, sendo suave e leve, colocando amor, tudo fica mais fácil. Eu sou mulher, dona de casa, empreendedora e artesã. Rapadura é doce, mas não é mole. Tem hora que você quer ficar só no ócio criativo, mas não consegue. É bom produzir, trabalhar, seguir em frente, enfrentando todos os preconceitos”, pontua.
Força feminina
Do trabalho da ponta da cadeia produtiva do turismo, o atendimento ao visitante, vem mais um exemplo da força feminina no setor. A guia de turismo Gertrudes Brito, GG como é conhecida, é uma das profissionais mais respeitadas em sua área de atuação no Estado. No ramo há quase trinta anos, ela garante que o atendimento ao turista feito por mulheres tem seus diferenciais.
“Quando entrei no turismo entrei como tradutora e me encantei pela atividade, acabei fazendo cursos de guia, nacional e regional, cursos de história, geografia, história da arte, e estou por aqui até hoje. O turismo não é confortável para quem não vai à luta, por ser um mercado aguerrido e disputado, mas a mulher já é aguerrida por natureza e tem esse ímpeto de correr atrás. Nós temos o carinho pelo turista, cuidamos dos pormenores, escutamos mais, temos mais cuidado. O homem nem sempre tem este tato”, ressalta Gertrudes.

