Seis anos depois do desabamento de um dos silos do Moinho Motrisa, os moradores da Vila Nossa Senhora do Carmo ainda não conseguiram retomar suas vidas. Além de muitos ainda estarem aguardando o pagamento das indenizações, uma vez que foram obrigados a deixar suas residências, agora denunciaram ao Ministério Público Estadual de Alagoas (MPAL) que a empresa estaria cometendo os crimes de poluição sonora e ambiental.
A assessoria de Comunicação do MP informou que o grupo pediu que a instituição interviesse para apurar tal situação e, ainda, informaram que obras estão acontecendo no local, o que lhes chamou atenção em razão do acidente ocorrido em 2014.
A comissão de moradores foi recebida pelo procurador-geral de justiça em exercício, Márcio Roberto Tenório de Albuquerque, e pelo promotor substituto da Promotoria de Justiça de Urbanismo, Givaldo de Barros Lessa. “O Ministério Público é uma casa de direitos e temos a obrigação de trabalhar para solucionar problemas coletivos. Vamos instaurar um procedimento para saber o que, de fato, está acontecendo naquela região”, afirmou o chefe do MPAL.
“Ouviremos todos os moradores oficialmente e, com base em suas declarações, instauraremos uma notícia de fato. E, de início, requisitaremos à empresa esclarecimentos sobre o funcionamento do moinho, inclusive, como estão sendo operados os cilos (torres), já que um deles desabou anos atrás. Paralelo a isso, também pediremos informações à Prefeitura de Maceió a respeito das licenças para obras e de funcionamento do empreendimento”, detalhou Givaldo Lessa.
Reclamações da comunidade
Silvana Valença, Carmem Cristina Silva Wanderley, Narciso Henrique de Carvalho Lima e Arlito Saraiva da Silva Júnior foram os moradores recebidos pelo Ministério Público. Durante a reunião, eles fizeram uma série de reclamações. “O barulho em razão da operação das máquinas e das torres é ensurdecedor e ninguém consegue fazer nada direito em razão dessa zuada. Além disso, há a liberação de uma espécie de fuligem que suja toda a vila e também as nossas casas. Tudo fica tomado por esse pó. As pessoas estão adoecendo e uma providência precisa ser tomada”, comentou a empresária Silvana.
“Também é preciso lembrar que, passados aproximadamente seis anos do acidente, o moinho pouco foi responsabilizado por todos os danos que nos causou. E, neste momento, voltamos a ter medo porque há uma obra num dos cilos de cimento e nós não sabemos o que pode acontecer. Já pensou se aquilo desaba novamente?”, questionou ela.
Arlito Saraiva também apresentou as suas queixas. “Minha mãe tem 82 anos e não consegue relaxar dentro da sua própria residência. É barulho o dia inteiro. E, para piorar, a empresa construiu dois cilos de metal que esquentam bastante durante o dia, levando ainda mais calor para dentro das nossas casas”, contou o escrivão da Polícia Civil.

O caso
Na tarde do dia 7 de abril de 2014, o desabamento de um dos silos do Moinho Motrisa, provocou um grave acidente atingindo carros, casas e estabelecimentos comerciais na região que fica no entorno do estabelecimento, na Avenida Comendador Leão, no Bairro do Poço.
Toneladas de trigo e concreto desabaram sobre os veículos deixando a população em pânico. Equipes do Corpo de Bombeiros, Samu, IML, Polícias Civil e Militar estiveram no local trabalhando durante dias.
*Com assessoria

