Corre pelos bastidores políticos a informação de que a deputada estadual Jó Pereira (MDB) poderia ser alçada – com o apoio de seu partido – a disputar a Prefeitura de Maceió. Ainda há muita estrada para isso e Pereira tem seu título eleitoral na cidade de Teotonio Vilela, um de seus redutos.
É fato que a deputada estadual tem trabalhado com o foco em voos maiores que a permanência na Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas. Porém, seu destino político, em futuro próximo, também depende das decisões do grupo ao qual faz parte.
Esse grupo possui uma secretaria no primeiro escalão do governo Renan Filho (MDB).
Também é fato que o mandato de Jó Pereira tem sido – em alguns momentos – um incomodo para os palacianos em função dos temas que trata. Mesmo sendo da base governista e do partido de Renan Filho, Pereira já foi extremamente crítica em relação ao Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza (Fecoep), já bateu de frente com o secretário de Infraestrutura, Maurício Quintella Lessa e já teve desentendimentos com o deputado estadual Olavo Calheiros (MDB).
Sobram motivos para que o MDB de Renan Filho não queira que Jó Pereira cresça para além dos limites, tornando-se assim um nome viável não para 2020, mas sim para 2022, quando pode muito bem tentar uma candidatura ao Senado Federal, a Câmara dos Deputados ou até mesmo ao governo do Estado de Alagoas. Esse é o problema. Jó Pereira pode ser a peça a mais no xadrez que ninguém esperava...
O MDB precisa enquadrar Jó Pereira. Então, a possibilidade da informação de uma candidatura à Prefeitura de Maceió tem grandes chances de ser o chamado “fogo amigo”. Ajuda a trabalhar o ego da deputada estadual, caso ela deixe esse ser trabalhado e – caso ela se encante pela ideia – sabe da dependência do partido, arrefecendo um pouco sua atuação para cima do Palácio República dos Palmares.
Para isso, entretanto, Jó Pereira teria que comprar a história. A deputada estadual não é boba. Já falei sobre isso aqui em outros momentos. Em uma entrevista concedida a mim, Pereira disse – com todas as letras – que não descarta a possibilidade de disputar algum outro cargo em 2022, mas que isso não depende apenas dela, pois há uma correlação de fatores que inclui a aceitação de seu nome, o que é aferido por pesquisas qualitativas e quantitativas. Coisa para o futuro.
Um dos fatores no caminho de Pereira é o próprio MDB. A sigla é comandada com mão de ferro em Alagoas e serve a dois senhores: o governador Renan Filho e o senador Renan Calheiros. O primeiro pavimenta a sua estrada para o Senado Federal, daí ser alvo do senador Fernando Collor de Mello (PROS), que tentará a reeleição na disputa por uma única vaga. Pereira pode surgir como efeito inesperado, como já dito.
Outra questão é seu grupo político que possui pretensões em relação aos municípios que comanda e para isso precisa de costuras com os palacianos.
O tabuleiro do xadrez político alagoano não é fácil para quem quer construir independência. O protagonismo de Jó Pereira esbarra, portanto, em seu próprio grupo e na ausência de um partido em suas mãos por mais que ocupe posição privilegiada entre os emedebistas.
Se a deputada estadual investe em uma carreira política mais longa, terá imensos desafios para não se condenar ao cargo de eterna deputada estadual, como outros “caciques” que nasceram e definham na Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas, pois esse é o tamanho permitido a eles.
Uma das armas políticas para o domínio é ofertar o “canto da sereia”. Quem se apaixona pela voz afinada dessas possibilidades vai entrando em águas nebulosas e quando menos percebe se encontra à deriva. Algo me diz, entretanto, que Pereira tem a capacidade de perceber essas jogadas.
