Durante entrevista, o presidente Jair Bolsonaro, acabou se envolvendo em mais uma polêmica. Bolsonaro disse que os médicos que não forem aprovados no processo de revalidação do diploma podem "arranjar outra profissão, ou ficar como enfermeiro, ganhando menos". 

Em entrevista ao Cada Minuto, o presidente do Conselho Regional de Enfermagem (Coren), em Alagoas, Renné Costa, afirmou que a fala do presidente foi baseada em um desconhecimento da lei que rege os profissionais da enfermagem. 

De acordo com Renné, a fala do presidente foi infeliz e merece uma retratação. “O profissional da enfermagem é quem carrega a saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS), nas costas e quem também faz esse sistema acontecer”, declarou. 

O presidente do Coren disse ainda que há cerca de três meses atrás esteve em um evento onde o ministro da saúde fez uma fala elogiando os profissionais da enfermagem “O ministro no evento disse que a enfermagem era a espinha dorsal da atenção básica no Brasil e agora nos impressiona essa fala do presidente, onde coloca esses profissionais como menos importante perante a outros profissionais da saúde”. 

Através de uma carta aberta o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), cobrou que o presidente deveria propor políticas públicas para melhorar a autoestima, a saúde mental, a jornada de trabalho, os salários e a formação dos profissionais de Enfermagem. 

“Nos mantemos firmes na luta pela valorização profissional da enfermagem, na garantia do exercício legal da profissão e na garantia do direito à saúde da população brasileira. Dos governantes, exigimos respeito”, diz um trecho da carta

Confira carta na íntegra:

Exmo. Sr. Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro.

Ao tempo em que lhe dirigimos os nossos mais respeitosos cumprimentos, gostaríamos que o senhor se dirigisse aos enfermeiros brasileiros com a dignidade e o respeito que merecemos. Cuidamos diuturnamente da saúde do povo brasileiro.

Ouvir do Presidente da República, em vídeo recente no qual se manifestou sobre o Programa Médicos Pelo Brasil, que um médico com baixo desempenho no exame Revalida “pode trabalhar como enfermeiro ganhando menos”, demonstra o desconhecimento pela profissão, seu tamanho e sua importância para a saúde da população brasileira.

Além de nos comparar a uma subcategoria, ignorando as exigências legais para o exercício profissional da Enfermagem no Brasil, a fala demonstra a desvalorização de uma profissão reconhecida em todo o mundo como essencial para melhorar a cobertura e o acesso à saúde. Vinda do mais alto mandatário da nação, é inaceitável.

As carreiras médicas e da enfermagem são profissões distintas, em saberes e regulamentação legal, trabalhando juntos como equipe de saúde e ambas precisam ser valorizadas.

Como dirigente maior da nação, Vossa Excelência deveria propor políticas públicas para melhorar a autoestima, a saúde mental, a jornada de trabalho, os salários e a formação dos profissionais de Enfermagem brasileiros.

Como disse o Ministro da Saúde Henrique Mandetta recentemente, “a Enfermagem é a espinha dorsal do SUS”. Nos mantemos firmes na luta pela valorização profissional da enfermagem, na garantia do exercício legal da profissão e na garantia do direito à saúde da população brasileira. Dos governantes, exigimos respeito.

*Estagiário sob a supervisão da editoria