Eles ganham curtidas, trocam likes, conquistam seguidores, fidelizam clientes e produzem conteúdo através da divulgação. Os influenciadores digitais escolheram as redes sociais para divulgar o dia a dia, mas também para ganhar dinheiro. Também chamados de influencers conquistaram empresas que buscam alcançar consumidores de uma maneira mais rápida e fácil.
 
A empresária alagoana Talita Moureira tem uma loja de roupas desde 2017 e, no início, sentiu dificuldade em divulgar a loja já que estava sem recursos para o marketing. "Eu sabia que era essencial para me consolidar no mercado, mas estava sem condições de pagar para fazer campanhas publicitárias ou de pagar um profissional de marketing exclusivo para loja", contou.
 
Talita diz que, aos poucos, as vendas foram aumentando, mas a rede social da loja continuava com número baixo de seguidores e sem fidelização do cliente. "Aí eu precisei traçar uma estratégia, um planejamento e percebi que alavancar meu negócio pelas redes sociais era o segredo", explicou. 
 

Pelo preço, Talita decidiu investir em uma influenciadora digital conhecida em Alagoas e fora do estado, e viu que o retorno veio de forma imediata. "Assim que ela publicou os stories e fez provador na minha loja ganhei vários seguidores e novos clientes para compra. Não me arrependi de ter pago a influenciadora que fez uma divulgação profissional e que me trouxe retorno positivo", afirmou a empresária.
 
Influenciador divulga tudo?
 
Com essa mudança no mercado e no perfil do consumidor, os influenciadores recebem convites de diversas marcas e empresas, mas nem todos aceitam divulgar algo que não acreditam. 
 
Esse é o caso do jornalista alagoano Wilson Smith que entrou no ramo dos influenciadores digitais. Segundo ele, para fechar a divulgação é preciso que haja uma "sintonia" com pontos que ele leva em consideração na hora de escolher produto ou serviço.
 
"Sem dúvidas faço uma filtragem aprofundada de todos os produtos ou serviços que divulgo. O meu blog  (www.blogdowil.com) e Instagram (@_wilsonsmith) são reflexo das minhas escolhas pessoais e não recomendo nada que de fato não tenha um bom padrão de qualidade e esteja dentro das minhas predileções", ressaltou.
 
Wilson disse que existem diversos desafios em ser um influenciador. Ele enfatiza que trata seu trabalho com ética e profissionalismo, mas que em como todas as áreas há pessoas que não exercem a função prezando por boas práticas profissionais e que cobram um valor baixo que acaba prejudicando quem trabalha. 
 
"Esse contexto de certa forma respinga na reputação dos influenciadores que exercem sua atividades de maneira correta. Até mesmo na prática dos valores cobrados, alguns cobram muito baixo prostituindo o mercado. Também tem a questão da adulteração dos números “compra de likes e seguidores”, que atrapalha o critério de seleção das empresas. Em suma: o que atrapalha é a deslealdade no mercado", enfatizou.
 
Campanhas publicitárias x Influenciadores
 
Um estudo feito pela SocialChorus, plataforma de comunicação, mostrou que campanhas com influenciadores podem ter um engajamento até 16 vezes maior do que a publicidade em outros formatos de comunicação.
 
Para a influencer Amanda Melo (@amandagmelo), de 26 anos, há espaço para todos no mercado. Ela faz divulgação para empresas e mostra seus produtos e serviços através das redes sociais. Para ela, o influenciador não veio para substituir as campanhas publicitárias, mas para "vender uma experiência de forma realista". 
 
"Já as campanhas publicitárias permitem uma criatividade maior, acho que a liberdade de vender de uma forma mais “fantasiosa. As campanhas publicitárias não perdem seu brilho; elas são aliadas das ações com influenciadores digital. A fórmula é sucesso certeiro", enfatizou.
Foto: Cortesia
 
Amanda defende que as empresas contratem influenciadores para divulgar sua marca ou produto já que vender de uma forma realista faz com que o cliente se interesse e compre determinado produto. "Na maioria das vezes, as marcas selecionam influenciadores que se identifiquem e até façam uso de seus produtos. Dessa forma o influenciador acaba se tornando uma ferramenta humanizada para vender inicialmente a experiência do produto ou da marca", explicou.
 
Minha empresa precisa contratar um influenciador?
 
As especialistas em marketing digital Laís Casado e Meline Lopes estão à frente da Agência Arca (@vocearca) há um ano e já se depararam com clientes que perguntam se devem ou não investir em um influencer.
 
Foto: Cortesia
Segundo Meline, é preciso que o empresário analise primeiramente qual o público dele e para quem ele quer vender. "Daí vamos saber se o público que assiste aquele influenciador vai coincidir com o público que ele quer vender", disse.
 
Meline afirma que recebe médicas, psicólogas, dentistas, advogadas, entre outras, que buscam divulgar o serviço, mas que a primeira pergunta que elas fazem é sobre a contratação de um influenciador.
 
"Algumas pessoas querem se posicionar para um público mais velho, de mais idade ou um público que tenha uma renda mais elevada... será que uma influenciadora jovem, de 18 a 25 anos, o público dela tem condições de comprar o seu produto ou serviço?", questionou.
 
Laís reforçou que nem sempre o perfil do influenciador combina com a marca da empresa e que é preciso fazer estudos ou analisar as possibilidades. "O que é interessante do influenciador é que ele passa credibilidade e confiabilidade. As pessoas se identificam já que acham eles pessoas normais, como se eles fossem um amigo pessoal, mas é preciso analisar se ele se encaixa no perfil seu produto e fala a mesma língua que seu público".
 
Número de seguidores não é tudo
 
A especialista Laís Casado chamou a atenção que nem todo influenciador que tem números consegue ter um bom alcance e engajamento nas redes. "Às vezes, um influenciador que tem um número menor de seguidores tem um engajamento melhor, um público fiel e consegue influenciar muito mais. Nós orientamos que a empresa não deve olhar apenas o número e sim o engajamento que o influenciador tem", explicou.