Durante a sessão desta quinta-feira (30), na Câmara Municipal de Maceió (CMM), alguns vereadores reagiram com irritação às acusações feitas por sindicalistas de que os parlamentares “traíram” os servidores públicos municipais ao votarem, na semana passada, o reajuste salarial de 3% concedido pelo prefeito Rui Palmeira ao funcionalismo.
A discussão começou depois que a vereadora Tereza Nelma usou a tribuna para cobrar da Mesa Diretora a expedição de uma nota explicando as razões pelas quais os vereadores apreciaram a matéria.
“Em nenhum momento essa Casa traiu os servidores de Maceió”, afirmou a vereadora, explicando que cinco dos sete sindicatos que participaram das discussões queriam a votação, em detrimento do Sindicato dos Servidores Públicos de Maceió (Sindspref) e do Sinteal.
Em aparte, Dudu Ronalsa lembrou que ele e os colegas deram a palavra de que não votariam o reajuste antes da audiência de conciliação entre servidores e Município, intermediada pelo Poder Judiciário.
“Eu fui contra a votação e até me indispus com o prefeito... Mas, a gente criou um problema para a gente mesmo... Um problema que não era nosso, a gente decidiu trazer para a gente”, desabafou se referindo ao fato da Casa não ter sido acionada antes pelos sindicatos, durante as discussões em torno da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), por exemplo.
Líder do governo, Eduardo Canuto reforçou que a maioria dos sindicatos concordou com a apreciação do projeto de lei concedendo 3% de aumento salarial e acusou parte deles de agir politicamente.
“Eles estão nos usando, usando essa Casa. Eles estão em processo eleitoral... Como é que o governo do Estado deu 2,95% de aumento e o sindicato não se manifestou? Como lá pode 2,95%? Porque aceitaram? Porque o Sinteal é um braço do PT, que está com eles, usando a gente aqui. Não somos traidores”, afirmou.
Segundo Canuto, a Casa tomou a posição correta ao ser procurada por vários servidores que queriam a aprovação do aumento: “Essa Casa não pode ser usada... Que as pessoas falem mal dos políticos, até porque a maioria merece, mas a Câmara nunca fugiu desse embate. A maioria queria o aumento. Estávamos sendo usados politicamente”.
Também em aparte, Silvânia Barbosa demonstrou indignação com o fato de ter sua foto exposta, junto a de outros vereadores, como “traidores” pelo Sindspref, durante um ato realizado no Centro da capital. “Isso é uma agressão muito séria... Cinco não é um número menor que dois. Não admito o sindicato estar expondo minha foto como traidora e vou procurar os meios jurídicos em relação a isso”.
“Os vereadores votaram com consciência, mas a gente sabe como funciona quando sindicato quer denegrir a imagem de político... Mas, eu não vou servir de trampolim para ninguém. Votei com consciência tranquila e exijo respeito”, completou a vereadora.
Os vereadores Samyr Malta e Lobão também repudiaram o que consideraram um ataque “lamentável” aos vereadores por parte dos sindicalistas.
