A reportagem exibida no programa Fantástico, da Rede Globo, no domingo passado, acerca de problemas no Hospital Geral do Estado (HGE) e da operação Correlatos, que investiga suspeitas de fraudes milionárias em licitações ocorridas na Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), repercutiu durante toda a sessão desta terça-feira, 29, na Assembleia Legislativa (ALE).
Enquanto alguns deputados criticaram a situação do maior hospital do Estado e as denúncias enfrentadas pela pasta da saúde, uma parte pregou a conciliação e a união de esforços para solucionar as demandas e outros tentaram reduzir a discussão a uma questão política.
Primeiro a usar a tribuna, Rodrigo Cunha (PSDB) criticou o fato de a repercussão da matéria, por parte do governador Renan Filho (PMDB) e do secretário de Saúde, Christian Teixeira, ter girado em torno da compra de persianas no valor de R$ 29 mil, em detrimento do desabastecimento no HGE.
Ele também lamentou o fato de o governo preferir culpar a ex-secretária Rozangela Wyszomirska pelos problemas que, segundo ele, já eram conhecidos desde o início da gestão, ao invés de buscar soluções. “Podemos apontar apenas três motivos para explicar os problemas no HGE: orçamentário, mas esse eu já descarto, de gestão, com escolhas que não têm se mostrado assertivas, e o terceiro, a corrupção”.
Cunha aproveitou para convidar os colegas a participarem de uma audiência pública, no dia 12 de setembro, para tratar de assuntos referentes a saúde, com foco no Hospital Geral.
Jó Pereira (PMDB) argumentou que as dificuldades no HGE ocorrem também pelo fato de ser o único que atende toda a população na capital, onde é “baixíssima” a cobertura de saúde básica, defendeu a junção de esforços e alertou para que o hospital não fosse transformado em “bandeira política de um deputado, da situação ou da oposição”.
A parlamentar acrescentou que, amanhã, integrantes do Conselho Estadual de Saúde serão recebidos pelos deputados que integram a Comissão de Saúde da Casa, para discutir assuntos importantes, a exemplo da regulação.
Bruno Toledo (PROS) lembrou que desde dezembro do ano passado tem levado à tribuna da ALE denúncias como desabastecimento, fracionamento de compras e “calote” a fornecedores e afirmou que não tratava o assunto como “bandeira de oposição ou situação, mas com posição”.
“A realidade da saúde de Alagoas é a que estamos vendo... Falta tudo no HGE, seringas, luvas, mas as prioridades são cortinas de R$ 29 mil... E quando o governador resolve quebrar o silêncio que incomodava tanto, decidiu, de forma brilhante, culpar a imprensa”, ironizou.
Os deputados Edval Gaia (PSDB), Ricardo Nezinho (PMDB) e Ronaldo Medeiros (PMDB) saíram em defesa do governo, lembrando os avanços obtidos em menos de três anos no âmbito da saúde, a exemplo da construção de novos hospitais e aquisições de novas ambulâncias.
Líder do governo na Casa, Medeiros afirmou ainda que o Estado está adotando todas as providências para que os problemas detectados no HGE não ocorram mais.
Já Antonio Albuquerque (PTB) destacou sua postura de independência, alertando que os temas relacionados à saúde pública devem ser tratados com responsabilidade e os problemas não podem ser atribuídos ao gestor principal apenas.
O deputado defendeu que o governo tem acertado muito, mas também errou: “Desabastecimento de determinados materiais não tem justificativa plausível e fracionamento de compras também não”, exemplificou.
