O deputado Ronaldo Medeiros voltou a criticar, na sessão desta terça-feira, 22, na Assembleia Legislativa (ALE), a instalação dos redutores de velocidade, os conhecidos “pardais”, com limites de velocidade variando entre 40 e 60 km, em diversos pontos da capital. Em uma semana, é a segunda vez que ele levou o tema ao plenário, em um pronunciamento aparteado por colegas que também criticaram a medida.
O parlamentar disse que, há quinze dias, protocolou um ofício na Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) solicitando o quantitativo – por ano - de multas de trânsito aplicadas entre 2010 e 2017, o tipo das infrações, valor arrecadado e onde estão sendo investidos os recursos.
Medeiros disse que, caso não recebas as respostas, irá acionar a justiça. Ele também anunciou que irá provocar a Comissão de Fiscalização da Casa para solicitar a cópia do contrato firmado entre a prefeitura e a empresa responsável pelos pardais.
Da tribuna, ele mostrou ainda um vídeo da substituição de uma lombada física na Avenida Rotary por um pardal eletrônico e elencou os pontos onde os equipamentos serão instalados, com as respectivas velocidades permitidas.
“Quando vir o pardal, o condutor não saberá qual é o limite de velocidade. A prefeitura vai conseguir piorar o trânsito de Maceió, que já é péssimo... Parabéns, palmas pra prefeitura... É uma atitude das piores que eu já vi de um gestor público nos meus 52 anos de vida”, ironizou o deputado.
Segundo ele, a perspectiva é que até o fim do ano sejam aplicadas 400 mil multas pela SMTT, o que correspondente aproximadamente ao número de veículos em circulação na capital.
“Todos serão multados nessa epidemia de pardais... Já vi filmes de terror de tubarão, pássaros, aranhas... Mas, no final, os mocinhos destroem os animais. Neste caso, os pardais é que irão destruir o bolso dos cidadãos de Maceió”.
Em apartes, os deputados Ricardo Nezinho (PMDB), Antonio Albuquerque (PTB) e Olavo Calheiros (PMDB) se solidarizaram ao pronunciamento.
Nezinho chamou a atenção para as multas aplicadas durante a madrugada e apelou para que a SMTT corrija o erro: “Algumas das causas que justificam os pardais são a alta velocidade e o número de acidentes, mas, e a segurança do cidadão?... Por um lado a SMTT prega segurança no trânsito, mas por outro está sendo parceira na violência, porque ninguém, em sã consciência, vai trafegar às duas da manhã a 40 km”.
Com um discurso mais duro, Calheiros atribuiu à instalação dos pardais “a sanha arrecadadora” da prefeitura de Maceió: “Cada vez mais a prefeitura aumenta seus tentáculos contra os contribuintes... Numa época de crise, a prefeitura entendeu essas multas como receita, uma indústria... Uma violência que já se transformou em despesa fixa no orçamento das famílias”.
Albuquerque também destacou que a “proliferação” de pardais é uma forma de onerar ainda mais a população que já paga tantos impostos e taxas e defendeu a intermediação da Comissão de Fiscalização da ALE para que o Município detalhe a contratação dos pardais.
