Quem acessou o portal oficial do governo até às 14h50 não observou - ao menos por lá - qualquer manifestação do Governo do Estado de Alagoas a respeito da Operação da Polícia Federal ocorrida na manhã de hoje, dia 08, que atingiu em cheio a Secretaria de Saúde. É como se o principal fato do dia simplesmente não tivesse acontecido.
Claro que não se espera do governo que cubra o fato como fizeram os demais veículos de comunicação ao cumprirem o seu papel, mas que respondam às acusações, inclusive com a fala do governador Renan Filho (PMDB) sobre o que está ocorrendo.
A ação da Polícia Federal e da Controladoria Geral da União é o primeiro escândalo de denúncia de desvio milionários envolvendo o governo Renan Filho. É claro que há o direito à ampla defesa e ao contraditório. É justamente o que aqui está sendo cobrado por meio dos veículos oficiais do governo estadual.
De acordo com a PF, houve um esquema de fraudes em licitações na Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas em que os sócios das empresas investigadas possuíam parentescos entre si. O esquema - ainda conforme as investigações - envolvia empresas de outros estados. As investigações apontam conluio entre empresas para fraudar os processos licitatórios e qualquer espécie de competição.
Os levantamentos a partir dos dados do Portal da Transparência do próprio governo mostram que - entre os anos de 2010 (antigo governo) e 2016 (novo governo) foram contratados mais de R$ 237 milhões por meio e compras fracionadas. Deste valor, mais de R$ 172 milhões foi custado pela Secretaria com recursos do SUS.
A pasta emitiu nota à imprensa dizendo que acompanha as investigações e está à disposição para fornecer o que for necessário. Afirmou ainda que a administração não compactua com ilicitudes e que as medidas cabíveis serão tomadas caso as irregularidades sejam comprovadas. Mas, sequer esta nota foi publicada pela Agência Alagoas.
Houve apreensão de documentos e 27 pessoas foram levadas para prestar esclarecimentos coercitivamente. Entre elas, a ex-secretária de Estado da Saúde, Rosangela Wyzomirska.
A nota da SESAU se resume a estas linhas, como pode ser lido no CadaMinuto: “A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) acompanha as investigações dos órgãos competentes e está à disposição para fornecer o que for necessário para o seu andamento. A Sesau ressalta que não compactua com qualquer tipo de ilicitude e que todas as medidas legais cabíveis serão tomadas caso se comprovem irregularidades”.
Até a publicação desse post não havia fala do governador Renan Filho (PMDB), que é bastante atuante nas redes sociais. Por enquanto, silêncio por parte do chefe do Executivo do Estado de Alagoas sobre o assunto que envolve sua gestão.
O delegado do caso Antonio Carvalho ainda fala que o “o Estado alegou que em muitos casos houve dispensas de emergência, mas é mentira. Se tivesse acontecido algo assim, eles teriam feito a licitação do tipo 10, mas fizeram todas do tipo 5 e 6 que são abaixo de R$ 8 mil”. Entre as fraudes, as empresas a serem contratadas eram escolhidas e os processos montados com pesquisas de preços simuladas com propostas pertencentes a grupos que eram da mesma família.
Eis um trecho da matéria do CadaMinuto: “A PF informou que um funcionário de alto cargo na Sesau pedia para que as empresas entregassem os materiais antes de licitar. "Após fazer as oitivas com alguns funcionários da Sesau, eles informaram que os materiais eram entregues e depois eram providenciadas as licitações", comentou o delegado”.
O governador precisa falar sobre o assunto. A Sesau precisa ir além das linhas que foram publicadas, pois estas não dizem muita coisa e as acusações feitas pela Polícia Federal precisam ser esclarecidas.
“Ao analisar os processos, verificamos que o número do telefone não corresponde ao telefone da empresa, ou seja, já evidenciamos de cara uma fraude. Além disto, a pessoa que assina como representante dessa empresa é uma beneficiária do Bolsa Família que mora em Sergipe”, coloca ainda o delegado.
São muitas acusações serias para uma nota tão tímida e para que o principal veículo de comunicação estatal simplesmente finja que nada está acontecendo…
A sensação é de que o governo foi surpreendido com um belo soco de direita e se encontra perdido e sem saber o que falar!
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