O deputado Francisco Tenório (PMN), vice-presidente da Assembleia Legislativa (ALE), anunciou que irá apresentar uma representação criminal e outra junto ao Corpo de Bombeiros Militar (CBMAL) contra a tenente-coronel Camila Paiva, por ela ter gravado e divulgado, sem sua autorização, uma conversa ocorrida na semana passada entre ambos, acerca das emendas apresentadas por Tenório a um projeto de lei de origem governamental.
Na sessão desta terça-feira, 27, o parlamentar usou a tribuna para denunciar que foi gravado “às escondidas” quando conversava com a militar sobre as mudanças propostas por ele alterando a idade e o tempo de trabalho para que policiais e bombeiros militares ingressem na reserva compulsória.
“Expliquei o projeto a ela, que maliciosamente e de forma antiética, gravou às escondidas a nossa conversa... Acho que quis imitar o Joesley, da JBS. Ela, a “Joesley”, gravou, editou e publicou a conversa nas redes sociais, criando um problema para corporação e um clima ruim para mim... Na tentativa de mobilizar contra as emendas, a tenente-coronel editou minha fala, como se eu tivesse feito ameaças”, disse o deputado, ironizando que os colegas parlamentares não atendessem a militar antes de “revistá-la”.
Exemplo
Tenório explicou que a tabela de idade para reserva compulsória hoje vai de 47 anos para mulheres até 62 anos para coronéis, mas, às vezes o militar ainda quer e tem condições de trabalhar, ficando impedido por conta dessa limitação.
“A tenente-coronel é uma jovem de 34 anos que será coronel com 36 anos... Há um dispositivo que diz que só pode passar cinco anos como coronel, então ela vai se aposentar com 41, 42 anos”, exemplificou.
“Apresentei uma emenda para acabar com a tabela, estabelecendo uma idade única de 65 anos para homens e 60 para mulheres, pensando que estava fazendo um bem à corporação e ao Estado”, desabafou acerca da polêmica que as propostas causaram.
Adiado
Em entrevista ao CadaMinuto, o deputado disse que as modificações que ele propôs ainda estão sendo discutidas, mas acenou que o consenso "está chegando" e o PL do governo, com as emendas dele, deve ser apreciado amanhã na Casa.