Neste 31 de março, data em que os democratas e legalistas descomemoram o golpe militar de 1964, a jornalista Olga Miranda, lança, às 19 horas, no Sindicato dos Bancários de Alagoas, Oh, Pedaço de mim, livro que conta a saga da família Miranda, duramente perseguida durante o regime militar. O principal enfoque é a história Jayme Amorim de Miranda, pai dela e alto dirigente do PCB (Partido Comunista Brasileiro) nas décadas de 1960 e 70. Em 4 de fevereiro de 1975, Jayme foi sequestrado, torturado e assassinado numa dependência de um órgão de repressão do Exército e até hoje seu corpo não foi localizado.
Em sua obra, Olga, que tinha 14 anos quando Jayme “sumiu”, descreve a dificuldade da mãe, Elza, que, com quatro filhos pequenos, padeceu por décadas em busca de informações sobre o paradeiro do marido, enfrentando, inclusive, a rejeição de membros da própria família, que temiam ser relacionados ao movimento comunista do qual Jayme era um militante ardoroso. A autora conta, ainda, os traumas psicológicos pelos quais ela e seus irmãos foram submetidos por conta da ausência do pai.
No contexto, a filha mais velha do dirigente bolchevique relata a perseguição da polícia política contra os Miranda em Alagoas que, desde 1935, eram apontados pelos anticomunistas fanáticos como agentes internacionais financiados pelo “ouro de Moscou” com a missão de transformar o País numa república a serviço de Stalin, ditador soviético que chagara o poder em 1924 logo após a morte de Vladimir Lenin, fundador do estado soviético.
Durante o evento – que contará com depoimentos de amigos e familiares de Jayme Miranda – será exibido um resumo do documentário “Memórias de Sangue”, do jornalista e historiador João Marcos Carvalho, e direção de imagem de André Feijó. O Sindicato dos Bancários fica na rua Barão de Atalaia, 50, no centro de Maceió.
