Na rápida sessão desta quinta-feira, 30, onde não houve quórum para deliberação, o deputado Rodrigo Cunha (PSDB) repercutiu a operação Sururugate, deflagrada hoje pela Polícia Federal, e disse que irá solicitar formalmente que a Controladoria Geral da União (CGU) “não pare a investigação em 2013”: “Não posso fechar os olhos para o que está acontecendo dentro desta Casa”.
O parlamentar aproveitou ainda para voltar a cobrar mais transparência no portal da Assembleia Legislativa (ALE) e exigiu o recebimento do resultado da auditoria realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) na folha de pagamento dos servidores efetivos da Casa.
Segundo ele, o resultado da auditoria, que já está pronto, pode ajudar a Casa a descobrir se a situação investigada pela PF entre os anos de 2010 e 2013 ainda acontece.
“Não acho normal ficar omisso diante desse momento... A ideia que o próprio presidente passou durante entrevistas é que a auditoria encontrou situações gravíssimas... Embora a gente saiba que o foco do levantamento é a folha dos efetivos, mas, muitas vezes o grande mal mora na folha dos comissionados”, argumentou.
Em relação ao portal da transparência, Cunha disse novamente que informações simples não constam na ferramenta, embora exista uma ação de 2015 do Ministério Público Estadual e uma decisão judicial determinando que a Casa seja transparente “e informe de fato quem trabalha aqui”.
“A maior proteção que vossa excelência pode ter é a transparência... O site não é um portal da Transparência moderno. Lá é impossível, por exemplo, encontrar servidores quem ganham mais R$ 8 mil e nós sabemos que eles existem, a verba de gabinete também não está exposta e o cidadão precisa saber quanto o deputado gasta com gráfica, com combustível, isso é o que determina a Lei e Acesso à Informação... O acesso à informação é difícil e incompleto. Não é um site fidedigno”, disse, se dirigindo ao presidente Luiz Dantas (PMDB).
O deputado lembrou ainda o caso, mostrado em reportagem do Fantástico, em 2015, das lavadeiras que recebiam altos salários sem sequer saber que “trabalhavam” na ALE: “Todos ficamos vulneráveis... Em quais gabinetes elas estavam lotadas? Isso teria que constar no portal da transparência... Todo mundo tem direito de defesa, mas essa Casa responde pelos outros anos também”.
Em resposta, Dantas disse que tomará as providências para corrigir as distorções relacionadas ao portal e que irá “apertar com mais vigor” o setor devido para que o resultado da auditoria chegue o mais breve possível às mãos de Cunha.
