O deputado Pastor João Luiz (PSC) usou a tribuna da Assembleia Legislativa (ALE) na tarde desta terça-feira, 6, para lamentar o engavetamento de projetos de sua autoria na Casa e para cobrar celeridade a apreciação da proposta que versa sobre a construção de um crematório público na capital.
“O que a gente faz aqui? A cada dia que passa a gente se sente mais impotente diante do que a sociedade nos cobra”, afirmou o Pastor, ao relatar que a distribuição de repelentes para mais de 15 mil gestantes em Alagoas, pelo Ministério da Saúde, era um dos pontos de um projeto de sua autoria, que tramita na ALE desde dezembro de 2015.
“A distribuição dos repelentes acontece agora, em 2017... Centenas e milhares de casos de microcefalia podiam ser evitados se essa Casa tivesse dado andamento ao projeto”, criticou o parlamentar, lembrando que, mesmo depois de o presidente Luiz Dantas ter colocado a matéria em urgência no ano passado, ela sequer recebeu parecer nas comissões.
“Ou é para desmoralizar o deputado ou até para desmoralizar o presidente... Fico feliz com a distribuição dos repelentes, mas, ao mesmo tempo, me sinto humilhado. Foi ideia minha. Eu fiz o projeto e não sei porque motivo passou dois anos sem ser apreciado e aí aparece alguém com a mesma ideia... Gostaria que saibam que eu tive a ideia há dois anos, mas, ela morreu nessa Casa, não se saber porque”, destacou o deputado, criticando ainda a prática que batizou de “legispirataria” – a cópia de projetos parlamentares.
João Luiz também citou outro projeto de sua autoria, o que autoriza a criação de um crematório público em Maceió, também aguardando parecer desde 2015, e disse ter sabido que uma empresa privada já demonstrou interesse em realizar a obra – particular – em Maceió: “O interesse pode ser financeiro...”, pontuou.
Em entrevista à imprensa após a sessão, ele reafirmou que soube que um dos cemitérios particulares já está se organizando para inaugurar um crematório: “Porque não um crematório público?”, questionou, lembrando o acúmulo de 42 corpos de indigentes no IML de Maceió, em fevereiro passado, devido à ausência de vagas para sepultamento nos cemitérios públicos da capital.
Em apartes, o deputado Galba Novaes (PMDB) e Bruno Toledo (PROS) se solidarizaram com o colega e cobraram a tramitação digital das matérias no parlamento e mais agilidade por parte das comissões.
