O deputado Ronaldo Medeiros (PMDB) propôs a realização de uma audiência pública na Casa para discutir a Reforma da Previdência. Ele usou a tribuna na sessão desta terça-feira, 21, para criticar a proposta, classificada de “criminosa”, e apelar para que a bancada federal do Estado não aprove a reforma da forma como está sendo proposta pelo governo federal.

“Aumentar para 65 anos a idade mínima para aposentadoria é decretar o fim da Previdência e fazer com que o trabalhador não consiga mais se aposentar... Ninguém vai conseguir trabalhar 49 anos sem interrupção”, argumentou, citando ainda o fato de as mudanças ignorarem as peculiaridades de cada profissão, entre elas os trabalhadores rurais.

“A reforma parece muito com a lei que tornou os escravos livres aos 65 anos. Qual o escravo que vivia até essa idade? Era uma lei inócua, assim como essa reforma covarde e criminosa... Para se aposentar, o trabalhador terá que ter 65 anos e, para receber integral, ter 49 anos de contribuição... Tem que começar a trabalhar com 16 anos e passar 49 anos trabalhando initerruptamente. Ninguém vai conseguir”, analisou o parlamentar.

Medeiros se referiu a lei de 1885, conhecida como Lei dos Sexagenários, que libertou os escravos com 60 anos ou mais.

Ele criticou ainda a eliminação da pensão proposta na reforma: “Se eu contribuir e minha esposa também e algo acontecer a um de nós, um caso de morte, um ou outro fica com a pensão. A reforma acaba com esse acúmulo. Ou recebe aposentadoria ou pensão”, exemplificou.

Em aparte, os deputados Marcelo Victor (PSD) e Galba Novaes (PMDB) também se posicionaram contrários à reforma.

Ainda não foi definida a data da audiência pública proposta por Medeiros.

Liderança

Na sessão de hoje, foram indicados os líderes do PSD (Dudu Hollanda) e do PSC (Sérgio Toledo) na Casa.