A Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência promoveu, nesta terça-feira (7) debate, com a participação da Comissão de Cultura, com o tema “Mídia e Deficiência”. O debate foi proposto pela Deputada Rosinha da Adefal (PTdoB-AL), em parceria com a deputada Érika Kokay (PT/DF), e marca as comemorações do dia Internacional das Pessoas com Deficiência, comemorado em 3 de dezembro, com o objetivo de promover uma maior compreensão dos assuntos concernentes à deficiência e para mobilizar a defesa da dignidade, dos direitos e o bem-estar das pessoas.

Participaram do debate o Jornalista da Folha de São Paulo, Jairo Marques; a Jornalista do Globo Esporte, Gabriele Lomba e a jornalista e escritora, criadora do Grupo Escola de Gente - Comunicação para Inclusão - Claudia Werneck.

“A mídia é responsável por comunicar, e colabora com a construção da visão da sociedade, e reflete, da mesma forma, seu imaginário. Cabe a esta mídia e aos principais veículos o cuidado de adotar métodos de comunicação inclusivos e acessíveis, empregar termos corretos e respeitosos, e evitar disseminar a ideia distorcida de incapacidade, fragilidade, discurso preconceituoso e de assistencialismo”, explicou a deputada Rosinha, “Cabe a nós, como legisladores e formadores de opinião, trabalhar em conjunto para desenvolver no Brasil um jornalismo mais digno no trato da pessoa com Deficiência e ensinar que podemos mostrar além do óbvio”, defendeu.

Segundo Cláudia Werneck, não há comunicação efetiva quando quem é responsável por disseminar a informação se sente em vantagem sobre aquele sobre quem, ou para quem escreve. “Eu vejo que nos meios de comunicação brasileiros não existe diálogo entre as pessoas com deficiência e as sem deficiência, é sempre uma abordagem superficial, sem cuidado. Não há uma tentativa de conhecer o espaço do outro, nem uma compreensão de que todos temos o mesmo valor. Este, para mim é o maior erro que se comete e sem revertermos isso não conseguiremos promover a Inclusão”, afirmou a autora.

A jornalista Gabriele é membro da Gadim - Aliança Global para Inclusão das Pessoas com Deficiência na Mídia e Entretenimento – explicou que falta aos Meios de Comunicação o cuidado com os textos, as escolhas dos termos e a abordagem, quando se trata de Pessoas com Deficiência. “É comum vermos jornalistas preocupados em não discriminar e, com isso, superestimam as pessoas com deficiência, tratando-as como heróis, insistindo na ideia de superação. Este é o outro

extremo do mesmo olhar preconceituoso que as estigmatiza e as considera incapazes”, disse Gabriela.

O objetivo da jornalista e da Gadim é capacitar os profissionais da área para sair do lugar comum, aprender a escrever para mostrar a pessoa além da deficiência, construir a noção de empatia em quem escreve e, promover, através dos jornalistas e do que é abordado pela Mídia, a inclusão e a igualdade.

Para Jairo Marques, o maior desafio das Pessoas com Deficiência é romper a barreira da invisibilidade e conseguir garantir o direito de autonomia, de ser gestor de sua própria cidadania. “A sociedade ainda acha que a Pessoa com Deficiência é alguém de um mundo paralelo, incapaz de tomar decisões sozinho. A mídia reproduz essa visão da sociedade”, comentou Jairo, defendendo que é necessário mudar essa ideia.

Jairo afirma que é preciso modificar o discurso dos grandes Meios de Comunicação, e cobrar que passem a adotar métodos de comunicação inclusiva, acessibilidade na reprodução das matérias, que abandonem termos antigos, preconceituosos e as abordagens exageradas.

A finalização do Seminário contou com uma apresentação do Grupo teatral “Os Inclusos e os Sisos, Teatro de Mobilização pela Diversidade, com múltiplos recursos de acessibilidade.

Para a deputada Rosinha da Adefal, “apenas com o envolvimento dos diversos setores da sociedade em um debate continuado sobre as questões centrais relacionadas à deficiência, será possível reverter o impacto dessa herança discriminatória. Daí a importância fundamental dos meios de comunicação de massa, enquanto agentes facilitadores dessa troca de informações”.