Se a Câmara Municipal de Maceió fosse divida pela representatividade dos vereadores por bairros, pode-se dizer que Maceió está bem coberta nas oitos regiões administrativas por parlamentares. No entanto a disputa nos conhecidos "redutos políticos" é marcada pela presença constante do político, com ações de infraestrutura, saúde e educação.
No levantamento elaborado com dados das seções eleitorais disponibilizados pelo Tribunal Eleitoral Regional de Alagoas (TRE/AL), é possível perceber que alguns dos candidatos eleitos tiveram votações expressivas em uma das cinco zonas eleitorais, como mostra a tabela.
Essas localidades já ajudaram a eleger um representante, que iniciou a carreira política atuando como “prefeito comunitário” do maior bairro da capital, como é o caso do vereador Silvânio Barbosa (PMDB). Para ele, essa representatividade aproxima o vereador das comunidades, já que muitas vezes a própria população não sabe ou tem como chegar até a Câmara Municipal, onde os assuntos do seu interesse são discutidos.
O Benedito Bentes foi uma região que conseguiu eleger praticamente dois representantes locais: Barbosa e Sirdelane Mendonça, além de distribuir alguns votos para outros candidatos. É muito tradicional ver em algumas localidades, ONG - Organizações Não Governamentais - onde desempenho o papel de assistencialismo.
Segundo Barbosa, o vereador ou líder comunitário passa atuar nas comunidades, principalmente onde concentra a população de baixa renda, como agente do poder e desenvolve sim um trabalho assistencialista.
“O poder público deixa a desejar na garantia e fornecimento desses auxílios tão essenciais para esses moradores, na educação, saúde e segurança. Isso não é papel, nem função do vereador, mas se ele não fizer, a população fica desamparada”, completou o parlamentar.
O vereador eleitor Anivaldo Luiz, conhecido popularmente como Lobão (PR), chegou à Câmara Municipal desempenhando esse papel de sair em busca de melhoria para sua comunidade. Ele conseguiu mais 24 mil votos e obteve eleitores em todas as seções eleitorais da capital, principalmente na 3ª zona eleitoral – sua base eleitoral nos bairros de Ponta Grossa, Vergel, Centro, Mutange e outros – onde recebeu 14.311 votos.
Já o vereador Chico Filho (PP), que obteve uma votação balanceada nas cinco zonas eleitorais, afirma ter atuação nas mais diversas comunidades em diferentes regiões de Maceió, o que tornaria injusto citar algumas e deixar de registrar todas.
“Nossa votação espelha bem a nossa representatividade em toda cidade. Tive 10845 votos, com uma votação média de 2 mil votos por cada uma das zonas eleitorais da capital. Isso é reflexo do trabalho que já fazemos em defesa das comunidades e de seus moradores. A representação é fruto da defesa dos interesses da população. Não existe uma seleção de atuação ou comunidade e não vejo esse dito choque entre vereadores, até porque o tempo é quem melhor constrói lideranças com trabalho sério e responsável”, respondeu ele a nossa reportagem.
Presidente da Câmara defende aprovação do voto distrital
O voto distrital é umas propostas presentes no projeto da reforma política brasileira e poderá estreitar a relação entre o político e a sua base eleitoral, pois assim o eleitor poderá ter a consciência plena de quem o representa na sua localidade. Essa aproximação facilita na hora de fiscalizar, cobrar e saber o que o político da sua região está fazendo.
O presidente da Câmara Municipal de Maceió, vereador Kelmann Vieira (PSDB), avalia que o voto distrital seria o caminho para ser trilhado, principalmente em Maceió, uma cidade que diversos bairros e conjuntos habitacionais. “Nós percorremos a cidade mostrando nosso trabalho, mas de fato cada vereador se identifica mais com uma região”, adiantou ele.
Assim, o parlamentar teria um foco especial pela aquela comunidade que o elegeu e a própria comunidade saberá quem se identifica com região e quem está ali somente no período eleitoral. De acordo Vieira, de fato analisar as 21 vagas presentes no Poder Legislativo municipal saberá facilmente que cada uma delas representa e se identifica com determinada área.
Ele mesmo teve uma votação expressiva na segunda zona eleitoral com mais de 4 mil votos, onde o parlamentar admite trabalhar com projetos sociais há alguns anos. Para Vieira, a população sabe diferenciar o assistencialismo beneficiário e o assistencialismo oportunista, que loteia determinada região em benefício do próprio candidato.
“Vários outros vereadores que tem esse mesmo trabalho em outras áreas a população soube reconhecer. Uma coisa é você lotear em benefício próprio e esquecer-se da população. Outra coisa é você ter seu voto distrital e a população cobrar que você trabalhe pela aquela comunidade. Eu acho que isso a população sabe reconhecer bem e nós vamos aguardar a discussão lá no Congresso, que agora entende a necessidade de ter essa reforma política, por que nosso sistema político não mudar dificilmente nós vamos resgatar essa credibilidade que está perdida no tempo”, assegurou ele.
Para a cientista política, Luciana Santana os políticos, em geral, constroem suas bases eleitorais para sustentar seus projetos políticos, seja como vereador, deputado, senador, prefeito ou governador.
"E manter essas bases é fundamental para que consigam atingir seus objetivos a cada eleição, se elegendo ou buscando eleger sucessores. Trata-se de uma estratégia política que, se aliada a propostas concretas e/ou a verificação de benefícios ao longo de seus mandatos, pode ser exitosa, consequentemente conseguir se eleger ou se manter no poder", colocou ela.
O objetivo dos parlamentares é manter aquela região, somada a sua quantidade de votos e ampliá-la para que isso possa influenciar de certo no modo na disputa no processo eleitoral. Santana ressalta que o desejável é que os representantes de um município atuem em prol de toda população, independente de ser sua base eleitoral ou não.
O problema desses redutos por bairros é que pode causar um déficit na representação política local. "Papel dos vereadores na Câmara é representar a população do município, receber suas demandas coletivas e buscar soluções para solucioná-las, dialogar com os diversos setores e camadas da população, fiscalizar o poder executivo, contribuir com a produção e execução de políticas públicas e o orçamento. Tem também o papel de "julgador" das contas dos prefeitos a cada ano", colocou ela.
Em Maceió, se forem pontuar vereadores que estão com três mandatos seguem firme com uma votação expressiva em determinada zona eleitoral.
Votação pelas zonas eleitorais
Anivaldo Luiz da Silva
1ª 3372
2ª 3822
3ª 14311
33ª 1657
54ª 1807
Tereza Nelma da Silva Porto Viana Soares
1ª 2969
2ª 3558
3ª 3047
33ª 2390
54ª 3027
Joao Eduardo Martins Coelho da Paz
1ª 1603
2ª 2348
3ª 4354
33ª 1560
54ª 1758
Francisco Holanda Costa Filho
1ª 2427
2ª 2835
3ª 2000
33ª 1566
54ª 2017
David Cabral Davino
1ª 1784
2ª 5542
3ª1631
33ª 833
54ª 956
Kelmann Vieira de Oliveira
1ª 1516
2ª 4055
3ª 1130
33ª 681
54ª 1884
Jose Marcio de Medeiros Maia Junior
1ª 1600
2ª 1887
3ª 2959
33ª 1185
54ª 1283
Jose Eduardo Accioly Canuto
1ª 2329
2ª 3701
3ª1042
33ª 735
54ª 844
Carlos Ib Falcao Breda
1ª 1154
2ª 2164
3ª 1663
33ª 2055
54ª 1346
Ronaldo Luz
1ª 995
2ª 938
3ª 2284
33ª 2771
54ª 1228
Maria Aparecida Augusta da Silva
1ª 704
2ª 438
3ª 3606
33ª 841
54ª 2507
Maria Fatima Galina Fortes Ferreira Santiago
1ª 887
2ª 808
3ª 596
33ª 2670
54ª 2498
Silvanio Barbosa dos Santos
1ª 628
2ª 604
3ª 417
33ª 1106
54ª 4405
Silvio Rogerio Dias Camelo
1ª 1266
2ª 1698
3ª 1808
33ª 632
54ª 1547
Silvania Batinga de Oliveira Barbosa
1ª 927
2ª 1594
3ª 3208
33ª 639
54ª 502
Francisco Marcos Sarmento Ramos
1ª 948
2ª 1653
3ª 2590
33ª 865
54ª 801
Antonio Holanda Costa
1ª 790
2ª 2098
3ª
33 867
54ª 1734
Galba Novais de Castro Neto
1ª 644
2ª 876
3ª 1051
33 2030
54ª 2047
Samyr Malta Amaral
1ª 1200
2ª 1474
3ª 554
33ª 563
54ª 899
Jose Siderlane Araujo de Mendonça
1ª 217
2ª 213
3ª 142
33ª 333
54ª 3214
Luciano Marinho da Silva
1ª 297
2ª 226
3ª 129
33ª 543
54ª 2468
