Enxadrista! É assim que sempre me refiro ao presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB). Não é por acaso que uso o termo. Calheiros - como já disse aqui! - domina a incrível arte de atravessar os mares tempestuosos com um pé em cada canoa.
Foi assim no processo do impeachment. Se manteve “isento” enquanto deu, mesmo sendo um histórico aliado do petismo dentro e fora de Alagoas. Quando teve que votar, votou pelo Impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), mas foi peça importante para orquestrar o ataque à Constituição Federal, mantendo os direitos políticos da petista.
Adeus artigo 52 da Constituição Federal. Comentei aqui sobre o assunto.
Agora, diante do projeto que eleva os salários dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Calheiros volta a exercitar sua singular lógica para agradar gregos e troianos. Isto em um país de 12 milhões de desempregados e de diversas categorias - estas sim com salários que foram corroídos e muito pela inflação - que sequer conseguem repor as perdas inflacionárias.
Renan Calheiros defende desvincular o aumento dos salários dos ministros dos demais cargos para evitar o “efeito-cascata”. Na prática, se cria um Olimpo com direito a reajustes que os meros mortais não terão. Deve ser pela simples razão de que, neste país de 12 milhões de desempregados, os ministros do STF, coitadinhos!, são os que mais sofrem com a crise e seus salários de fome, não é mesmo?
Renan Calheiros é sempre Renan Calheiros. É sempre aquele, repito!, que atravessa o mar com um pé em cada canoa. Agora, o que Calheiros quer é alegrar o STF sem provocar efeito cascata. Na posição de Renan Calheiros, quem não gostaria de agradar aos ministros do STF, não é? Afinal, o peemedebista coleciona inquéritos por lá.
Digo mais uma vez: em um país com 12 milhões de desempregados, o STF e Calheiros deveriam dar a seguinte lição: entender que os salários de altos cargos já custam o “olho da cara” do contribuinte que trabalha cinco meses para manter a ineficiente máquina pública, que muito custa e pouco oferece em troca.
Sendo assim, tal aumento é um tapa na cara de todos os demais mortais da República. Um Congresso sério teria que rejeitar o reajuste e dizer bem claro: só podemos voltar a discutir o assunto quando o Brasil estiver estável, as contas enxutas e equilibradas; e o povo não estiver sendo sacrificado em nome das nesses deste banquete.
Afinal, a prioridade do país não são os ministros. Diante desse desarranjo econômico que é a herança petista, os estatistas precisam parar um pouco de defender a tese do almoço grátis. Estão passando fome, senhores ministros? Acredito que não!
Os salários dos nobres magistrados, hoje, chega a R$ 33,7 mil. No Brasil, um senhor salário. Ou não? Representam o teto do funcionalismo público. Se aumentados, gera um efeito-cascata. Então, como não pode ser para todos, que se adote a máxima orwelliana: todos iguais, mas uns mais iguais que os outros. E assim, se chegue a R$ 39,2 mil a partir de janeiro de 2017, mas sem estender isto aos demais.
É uma afronta. Se não pode para todos, não pode para ninguém! Simples assim. Outras prioridades urgente.
ATENÇÃO
Meu texto foi feito antes desta informação da Coluna Labafero:
"A pressão da opinião pública, dos senadores tucanos e de parlamentares que não são da base de Temer funcionou. Renan “congelou” projetos de lei que elevam os vencimentos dos ministros do Supremo Tribunal Federal e do procurador-geral da República de R$ 33,7 mil para R$ 39,2 mil.
Recuou depois de receber a visita da ministra Cármen Lucia, que assumirá o comando da Corte na segunda-feira (12). A sucessora de Lewandowski não é entusiasta do aumento e parece ter percebido que elevar os vencimentos dos ministros do STF enquanto 12 milhões de brasileiros estão desempregados, seria um “tapa na cara” da população brasileira".
Mas, mantenho tudo que disse. Afinal, saiu da prioridade não por "desejo" de Renan Calheiros.
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