Inicio este texto parabenizando o Colégio Tiradentes da Polícia Militar do Estado de Alagoas. Enquanto o Estado de Alagoas tem um dos piores resultados nos índices do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), não alcançando metas, a escola militar aparece como a mais bem avaliada. Claro: os resultados não são por acaso. Digo isto nos dois casos!

O Tiradentes mostra que disciplina, regramento, objetivos e prioridades conduzem a resultados. Simples assim. Em um país onde alunos não conseguem evoluir na interpretação de texto, no raciocínio lógico-formal, na educação do imaginário etc, resultados positivos devem ser comemorados, exaltados, mas também devem servir de lição. Que o Estado de Alagoas olhe para o Tiradentes buscando aprender como se faz, para que outras escolas - em um futuro próximo - alcancem os mesmos dados. 

O índice de aprovação do Tiradentes no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) - mesmo com este sendo tão deficiente e ideologizado - também é alto. De acordo com o Ibeb, o colégio militar obteve uma média de 6.0 entre os alunos do Ensino Fundamental. Isto é bem acima que a média do Estado de Alagoas. A prova de que nada disto é obra do acaso é que, em 2013, o Tiradentes já havia alcançado o posto de mais bem avaliado, com 4.9. Também foi o melhor avaliado para as turmas de 8ª e 9ª séries, com média de 4.6. 

É verdade que ainda está distante do ideal, mas mostra que se evolui quando há disciplina e foco nas conquistas. Enquanto esta é a realidade do Tiradentes, no restante da rede estadual, uma vergonha para os alagoanos: mais uma vez o Estado de Alagoas não conseguiu atingir as metas estabelecidas pelo Ministério da Educação no Ideb referente aos últimos anos do Ensino Fundamental e ao 3º ano do Ensino Médio. 

O índice de Alagoas é de 3,5. A meta era atingir os 3,7. Quando se trata do Ensino Médio, é o mais baixo índice do país: 3,1. Quando aos primeiros anos do Ensino Fundamental, Alagoas atingiu a meta estabelecida, mas ainda assim um modesto 4,7. Vejam a distância entre a maioria das escolas da rede estadual e o Colégio Tiradentes. 

Estranha-me que o Governo do Estado de Alagoas - que promete uma revolução na Educação a cada discurso do governador Renan Filho (PMDB) - não tenham enaltecido as conquistas do Colégio Tiradentes em suas páginas oficiais. Deveria! A escola não só merece isto, como merece servir de exemplo. Da mesma forma me estranha o silêncio do atual secretário de Educação, Luciano Barbosa (PMDB), sobre tais dados. Afinal, o ano de 2015 já é de responsabilidade da atual gestão. Se Educação é realmente importante para o governo, este é uma assunto para ser debatido com destaque. 

O que ocorre no Colégio Tiradentes? O que não ocorre nas demais escolas que não conseguiram sequer atingir a meta? Com a palavra, o governo do Estado de Alagoas. Não conheço a realidade do Tiradentes, mas aposto - como já dito no texto - que tem a ver com três eixos de atuação: 1) regramento claro para os alunos; 2) disciplina para o alcance de resultados; 3) priorização do alcance destes resultados por meio de projetos focados em conteúdos programáticos e ensino-aprendizagem, se distanciando assim das teses malucas que querem politizar tudo dentro de uma escola empurrando ideologias na frente de conhecimentos básicos e necessários como Português, Matemática, História, Geografia etc.

Assim, se os resultados do Ideb são vergonhosos para Alagoas, o Colégio da Polícia Militar surge como uma luz de esperança na rede estadual. Logo ele, que é tão atacado pelos “progressistas de plantão” que odeiam regras, que odeiam o “tradicional”, que não suportam nada que esteja fora de suas agendas políticas. 

Concordo com a reflexão feita pelo economista Adolfo Sachsida em suas redes sociais: os dados mostram claramente que o aluno brasileiro, em média, tem dificuldades extremas para ler e escrever. E, ainda assim, tem gente dita “expert” politizando tudo no processo da Educação, inclusive já no nascedouro que é a base do currículo nacional, orientando a matriz do conteúdo programático a uma ideologia ao invés do conhecimento no sentido clássico. 

Assim, se promete revolução, mas seguem com o mesmo discurso de politização do ensino. Que tal priorizar alfabetização mesmo? Que tal priorizar o domínio da Língua Portuguesa e da Matemática? Que tal priorizar disciplinas básicas? Que tal? Com essas disciplinas dominadas é que vem o resto. Não se pode vomitar no aluno uma série de teses, quando sequer leitor ele consegue ser. Transformem em leitores. Ensinem a ler. isto é o contrário de ensinar alunos a reproduzir um discurso hegemônico.

Pois, só como leitor formado, com o domínio básico do processo lógico-formal, da educação do imaginário, é que o aluno vai conseguir checar fontes primárias e decidir sobre o que está absorvendo. Para isto é necessário um conhecimento amplo de várias teorias e não somente daquelas que interessam a um grupo político que domine a educação. 

Sem os conhecimentos básicos necessários teremos um projeto de Educação que só gerará zumbis a repetirem chavões e com uma péssima capacidade de interpretação da realidade por justamente sequer interpretarem bem um texto. Mais uma vez - como também afirma Adolfo Sachsida - os mais prejudicados são os mais pobres. Muito triste!

Estou no twitter: @lulavilar