O deputado estadual Bruno Toledo (PROS) tem buscado fortalecer seu partido no Estado com uma plataforma que abrigue algumas ideias liberais. Um fato interessante diante de uma sigla que nunca teve direcionamento ideológico algum e nasceu como mais uma legenda no meio de tantas que existem no país. Uma sigla que até já fez parte do atual governo de Dilma Rousseff, diga-se de passagem. No caso de Toledo, como é natural, será criticado por alguns e elogiados por outros, pois vai encontrar um “nicho” diante das iniciativas que surgem, inclusive em Alagoas, buscando levar projetos com “sementes” liberais adiante. 

Se o parlamentar conseguirá ou não emplacar ideias assim, tornando-as efetivas e usando-a de bases para alguns projetos, aí é com o futuro. Destaco um: o projeto de lei que buscava regulamentar a venda de bebidas alcoólicas no Estado (hoje é proibido a comercialização). Toledo julgou, em minha visão acertadamente, que é uma intervenção do Estado na liberdade individual com o pretexto de garantir segurança nas arenas esportivas. Ao meu ver, o argumento é falacioso e por isto apoiei o projeto de lei. 

Já tive embates, no campo das ideias, com Bruno Toledo, mas registro que concordo com muitas de suas ideias, sobretudo as referências que ele faz a um dos maiores economistas, em minha visão, que é Milton Friedman. Mostra que é um parlamentar que estuda economia e política. 

Seguirei criticando quando achar que devo. Todavia, acho interessante que dentro do parlamento estadual tenha pelo menos um que se baseie em ideias diferentes das comuns matrizes intervencionistas. Não digo isto em demérito aos demais. Temos outros parlamentares muito inteligentes, como Rodrigo Cunha (PSDB). Digo isto apenas porque ainda não vi os demais demarcarem uma posição no campo das ideias e irem para o embate, independente das consequências. 

Quando eu, por exemplo, assumo minhas posições sei que vai ter quem goste e quem não goste. Paciência. Eu apenas busco ser objetivo e honesto intelectualmente para o meu leitor e tratar a divergência com todo respeito, pois não se trata de ser dono da verdade, mas de se crer em algo e saber porque se acredita nisto. 

Infelizmente, o deputado estadual Bruno Toledo chegou ao parlamento estadual pelos caminhos de uma velha e tradicional política que faz das cadeiras de deputado uma “capitania hereditária”. Espero que isto seja mudado. Que os que lá estejam ganhem ou percam mandatos em consequências de suas práticas e ideias. Hoje, acho Bruno Toledo um deputado importante naquela Casa. Como acho, por exemplo, a Jó Pereira (PMDB), uma deputada importante mesmo tendo discordado dela em quase tudo até agora. Mas, é que ela é inteligente e sabe argumentar o que pensa. Isto, eu respeito. 

De toda forma, em recente entrevista ao Brasília em Destaque, o parlamentar do PROS trouxe algumas reflexões interessantes ao falar do governo interino de Michel Temer (PMDB). Destacou que é um governo que precisa ser visto com “cautela”. “É um governo transitório que precisa ser visto como cautela, com parcimônia. Continuar como estava é que não dá para ficar. Precisamos ter paciência com o governo transitório e nossa meta principal é efetivar este novo governo. Não precisamos correr o risco do retrocesso”, salientou. 

Concordo em partes com Bruno Toledo. Primeiro: vamos ao ponto onde eu critico as suas declarações. Não temos tempo para ter paciência com o novo governo do PMDB. É um governo que fez e faz parte do problema e que estava ao lado da cleptocracia que tomou conta da República. Paciência, portanto, uma ova! Temer é o presidente em função das circunstâncias e precisa ser cobrado de manhã, de tarde e de noite. Tem um a responsabilidade imensa para com o país. Espero que cumpra, mas guardo minha dose de ceticismo e desconfiança. Precisamos estar atentos e cobrar de Michel Temer total transparência de suas ações e que não coloque para dentro do Palácio do Planalto as figuras que se beneficiaram com os esquemas da Lava Jato ou que estão sob qualquer tipo de suspeitas. Já fez isto. Mudanças não se faz alimentando velhas estruturas. Michel Temer cometeu estes erros e já pagou caro por eles. 

Outro ponto: a parcimônia que Bruno Toledo cobra não pode ser a tolerância com a covardia diante do que precisa ser feito. Foram varias às vezes em que Temer, mesmo sabendo da militância organizada do PT e seu poder de grito, recuou demonstrando fraqueza. Um exemplo clássico é a questão do Ministério da Cultura. Neste ponto, discordo de Bruno Toledo. Não tempos tempo para isto. O Brasil precisa sair do fundo do poço. Porém, reconheço avanços quando temos um governo federal que já fala em maior liberdade econômica e menos intervencionismo estatal. Porém, ainda muito longe das reformas que o país precisa urgentemente. 

Quando se tem um problema urgente, não se pode ter um governo que titubeia. Mas concordo com Bruno Toledo quando fala que é preciso retomar o crescimento econômico e que as ações precisam ser tomadas com “calma e planejamento”. Afinal, é enxergar o Brasil em médio e longo prazo, mas ao mesmo tempo não perder a vista do que deve ser feito no curto espaço de tempo.

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Concordo com ele também quando avalia que a volta da presidente afastada Dilma Rouseff (PT) seria bem pior neste cenário. “Uma catástrofe”, classifica Toledo. Eu usaria a mesma palavra. Tivemos um governo apoiado em mentira e em uma corrupção sistêmica. Não creio que Michel Temer seja a solução, mas acho que ele pode tomar ações neste período de transição que ajudem o Brasil. Porém, para isto - pelo que vimos da estrutura que aí está - é preciso que a população não se desmobilize, pois o PMDB é parte do problema e não podemos esquecer disto. 

 

Não podemos correr o risco do retrocesso, como avalia o parlamentar. E sim, este debate pertence a todos, afinal temos um Brasil que produz muito, com um setor produtivo forte, apesar de massacrado por uma burocracia estatal imensa, por uma regulação excessiva e por uma carga tributária pesadíssima. Quem produz no país sabe destes desafios. Já fiz críticas diversas ao governo Michel Temer e as mantenho. Jornalismo é vigilância, fiscalização e o resto é perfumaria. Talvez por isto não tenha tanta paciência com uma estrutura viciada de governo que se mantém gigante e favorecendo a pessoas que devem muitas explicações à sociedade em função das informações que surgem a partir das investigações da Polícia Federal.