Dois anos de intensas atividades em sete municípios da Bacia Hidrográfica do Rio Coruripe resultou na publicação do segundo volume do livro “Restauração do Rio Coruripe – Um projeto de resgate socioambiental” que dividido em onze partes apresenta informações sobre biodiversidade e sustentabilidade, fruto das ações desenvolvidas pelo Projeto Restauração do Rio Coruripe nesse rio eminentemente alagoano.
Selecionado no programa Petrobras Socioambiental, em 2014, o Projeto RECOR pode dar continuidade as suas ações na Bacia do rio Coruripe, atuando no biênio 2014/2016 com a gestão de corpos hídricos superficiais e subterrâneos com base na reversão de processos de degradação desses recursos e ampliando sua área de atuação nessa segunda fase para o Alto, Médio e Baixo Coruripe. De acordo com a coordenadora do projeto, a bióloga Marcela Daher, a equipe técnica do RECOR diagnosticou que “as nascentes, em sua maioria, apresentam forte impacto ambiental, no que tange ao assoreamento, à conservação e à qualidade da água, em virtude das áreas onde estão inseridas, as quais são ocupadas pela agricultura ou pecuária, com forte desmatamento e, portanto, susceptíveis aos contaminantes externos”, aponta. Dessa forma, a intervenção direta a fim de minimizar a situação de contaminação das águas foi urgente. A par dessa situação, o Projeto RECOR criou nessas nascentes ações mitigadoras para a manutenção do fluxo de água na região hidrográfica do Coruripe, melhorando a qualidade ambiental dessas nascentes e fornecendo água de melhor qualidade para as comunidades rurais que delas dependem utilizando a técnica de solo-cimento. Em dois anos, o projeto superou a meta entregando setenta nascentes recuperadas para comunidade ao longo da Bacia. Aliado a esse trabalho, também foi desenvolvido ações de reflorestamento de áreas de mata ciliar.
Quanto à biodiversidade da Bacia do rio Coruripe, o livro apresenta os resultados do estudo desenvolvido durante cinco campanhas de levantamento de fauna onde foram inventariadas espécies da mastofauna alada e terrestre, herpetofauna e avifauna resultando em informações inéditas para a área. Segundo o coordenador das campanhas de fauna, o ornitólogo Lahert Lobo, “uma das grandes contribuições do Projeto RECOR para a avifauna foi o primeiro registro de uma espécie rara de gavião, o gavião-gato-do-nordeste (Leptodon forbesi), para as três principais áreas de estudo. Esses dados são de extrema relevância devido à escassez de informações da espécie, que se encontra globalmente ameaçada de extinção”, alerta. Lobo destaca que trabalhos de restauração de ambientes florestais e Áreas de Preservação Permanente na Região Hidrográfica da Bacia do Rio Coruripe tem um potencial positivo para o aumento da diversidade e conservação da fauna decorrente do ganho esperado de habitats.
O Presidente da Assoc. Pró-Gestão de Recursos Hídricos do Coruripe (AGERH), o economista Geraldo G. de Barros Neto, esclarece que o pilar em que o RECOR se sustenta é a aliança entre o econômico com bem estar social e a preservação ambiental, teoria desenvolvida pelo ecossocioeconomista polonês, Ignacy Sachs. Segundo Barros, “a importância do projeto está baseada na integração entre as esferas ambiental, social e econômica. Dessa forma, a gente vem contribuindo para melhora na qualidade de vida da comunidade do Coruripe”, explica. Barros também destaca que além das pesquisas em biodiversidade e das ações sustentáveis, o livro apresenta informações sobre o trabalho de educação ambiental desenvolvido pelo projeto, “sem as ações de educação ambiental, o projeto não ganharia a força que tem hoje tampouco, a gente garantiria o engajamento da comunidade afim de multiplicar a importância de respeitar e cuidar do meio ambiente”, conclui.
