A Operação Turbulência, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (21) começa a evidenciar laços mais estreitos com a Operação Lava Jato e políticos citados no esquema. Uma notícia veiculada pelo site Estado de São Paulo afirma que a empresa dona do avião utilizado pelo ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos durante a campanha presidencial de 2014 pagou dívida de campanha do senador alagoano Benedito de Lira, em 2010.

João Carlos Lyra é apontado pela Polícia Federal como sócio da Câmara & Vasconcelos, uma das firmas que comprou por R$ 1,7 milhão o avião Cessna Citation PR-AFA, usado por Eduardo Campos.

Segundo o Estadão a Operação Lava Jato identificou um depósito de R$ 100 mil em janeiro de 2011 na conta da empresa e em delação premiada o doleiro Alberto Yousseff disse que a remessa da empresa foi para pagar dívidas da campanha de Benedito de Lira em 2010. O senador nega o recebimento de propina.

O CadaMinuto tentou contato por telefone com o senador, mas as ligações não foram atendidas.

Operação Turbulência

A Polícia Federal investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro que atuava em Pernambuco e Goiás e que teria movimentado mais de R$ 600 milhões desde 2010. De acordo com a PF, a investigação começou a partir da análise de movimentações financeiras das contas de empresas envolvidas na aquisição da aeronave Cessna Citation PR-AFA, que transportava Campos na campanha  à Presidência da República. No dia 13 de agosto de 2014, o avião caiu em Santos, litoral paulista, matando sete pessoas, entre elas, o ex-governador.

Segundo divulgou a Agência Brasil, a PF disse em nota que constatou que algumas dessas empresas eram de fachada e estavam em nome de “laranjas”. Ainda segundo divulgado pela corporação, as empresas faziam transações entre si e com outras empresas fantasmas – inclusive com algumas investigadas na Operação Lava Jato.

Estão sendo cumpridos cinco mandados de prisão preventiva, outros 55 mandados judiciais, dos quais 33 de busca e apreensão e 22 de condução coercitiva. Também foi determinada a indisponibilidade de contas e o sequestro de embarcações, aeronaves e helicópteros dos principais suspeitos.