Os jornais brasileiros – na manhã de hoje – destacam o editorial do NYT que teria dado “A Medalha de Ouro para Corrupção (uma analogia às Olímpiadas que ocorrem no país) ao governo do presidente interino Michel Temer (PMDB) e cobra ainda medidas efetivas do atual Executivo para combater a corrupção. Cobrar medidas para combater a corrupção é sempre bom.
Bem, e isto é o que a maioria dos brasileiro tem cobrado. É o que levou muitos às ruas para pedir a saída da presidente Dilma Rousseff (PT). Afinal, é o governo petista que institucionalizou a corrupção. Não foi o PT que inventou a corrupção, já existia antes e era assustadora, pois é sempre um crime assustador. Mas, foi o partido que – na construção de um projeto de poder – enraizou a corrupção como método de governança para manter apoios de parlamentares, como mostrou o mensalão, e ainda arregimentar partidos e alianças que lhe dessem folga para a perpetuação de um projeto de poder, como mostra o Petrolão e a forma como foi utilizado o BNDES.
Além disto, ainda contou com uma verdadeira franja ideológica na construção de narrativas, que contavam com “intelectuais orgânicos” e entidades para defender seus bandidos preferidos. Quantos não foram chamados de “guerreiros do povo brasileiro”?
Isto para não falar de outros escândalos que sempre beneficiaram os amigos do rei. No caso, o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT). As delações premiadas apontam para isto: a existência de uma cleptocracia que favoreceu o PT e seus aliados. A República ruiu. O que é público virou o espaço privado desta gente que se locupleta e comandou o país na última década, mudando a matriz econômica em 2008, focando apenas no projeto de poder, sustentando mentiras (como fez Dilma Rousseff nas eleições de 2014), fazendo o “diabo para ganhar uma eleição”. Tudo isto numa imensa intervenção estatal que tornou o cenário brasileiro ainda mais hostil para empreendedores. Como não dá errado?
A Operação Lava Jato não atinge só o PT. Opositores também entram na dança. E quem for podre, que se quebre. Mas quem estava no poder nesta última década? Ora, quando a prova é uma maratona de corrupção, sem tempo sequer para beber água enquanto o esquema corre, a medalha de ouro não tem outro peito na qual possa ser cravada: é o Partido dos Trabalhadores o campeão.
Agora, nos cem metros rasos de seu governo interino, o presidente Michel Temer tem errado muito sim. Alçou ao cargo de ministros pessoas que estão envolvidas na Lava Jato. Temer só deixa claro – com ações como estas – que é parte do problema e não a solução. Todavia, já era parte do problema antes. Afinal, Temer era o vice de Dilma Rousseff e não um opositor que caiu da presidência de paraquedas. Ele se encontra lá porque é o que determina a Constituição do país, diante de uma presidente que cometeu crimes de responsabilidade e é suspeita de envolvimento em outros danos à nação, provocados por esta cleptocracia. O caso Pasadena é um deles, mas tem Erenice Guerra, a tentativa de obstrução da Justiça, dentre outros pontos...é que haja memória...
Vejamos: se um dos critérios da “prova” que rendeu medalha de ouro a Temer é o número de ministros investigados, até nisto a presidente Dilma Rousseff ganha. Eram muitos investigados. No governo Temer, ao menos, quando os áudios comprometedores provocaram desconforto, o ministro foi demitido. No governo Dilma, Mercadante continuou influente e Lula quase foi alçado à condição de ministro diante do medo da prisão. Ora, Temer merece, no máximo, uma medalha de prata. O ouro mesmo é de Dilma Rousseff.
Temer tem disputado a medalha de ouro é no quesito frouxidão. Não parece ter a coragem de comprar reformas profundas e desaparelhar o Estado. O NYT diz que as nomeações feitas por Temer reforçam as suspeitas de que o afastamento temporário da presidente teve a intenção de afastar a investigação da Lava Jato. O NYT não acompanha a realidade brasileira? A Lava Jato seguiu seu rumo e quem quis atrapalhar perdeu espaço político e foi colocado para escanteio. A Lava Jato não para. Se Temer deve, que pague também.
O NYT esquece ainda que se tentou obstruir a Justiça antes, como mostram os áudios envolvendo Lula, Dilma e outros. Agora, o editorial acerta em um ponto: Temer só ganhará a confiança dos brasileiros se tomar medidas antagônicas ao governo de Dilma Rousseff e isto requer coragem. Medidas concretas para mudanças ao invés de nomear pessoas que possuem o mesmo perfil “vermelho”, como tem feito em alguns cargos.
No mais, o jornal cobra medidas profundas que não dependem apenas de um governo, como o fim da imunidade parlamentar para políticos acusados de atos de corrupção. Isto depende também do Congresso Nacional. O jornal acerta quando diz – portanto – que a proteção injustificável a suspeitos de corrupção institucionaliza a impunidade. Só esquece que o PT abusou disto.
Dilma teve 19 ministros investigados em seus mandatos. Dos últimos 31 ministros, Dilma tinha seis ministros oficialmente investigados: Mercadante e Edinho Silva, são excelentes exemplos. Isto de fato é a cultura da impunidade institucionalizada.
Isto, evidentemente, não pode ser motivos para absolver Temer de seus erros. Um erro não lava o outro. Não é porque se fazia antes que agora se está autorizado a fazer e por aí vai. Porém, não queiram que em alguns meses – e numa corrida de 100 metros rasos – se desfaça todos os efeitos de uma corrupção que foi uma verdadeira maratona.
Temer errou em seus primeiros passos, mas está muito longe de tirar a medalha da dupla Lula e Dilma. O que o NYT fez foi ajudar a narrativa de um partido que quer retornar ao poder. E só!
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