O afastamento da presidente Dilma Rousseff (PT) do cargo foi considerado positivo na avaliação de alguns parlamentares na Casa de Tavares Bastos. Dos entrevistados na tarde de ontem, 12, apenas o presidente em exercício da Casa, deputado Ronaldo Medeiros (PMDB), se posicionou contrário a decisão. “Sempre me manifestei contra a forma como a presidenta foi afastada, mas temos que respeitar a vontade soberana do Senado”, declarou, acrescentando que sua expectativa é de que os novos dirigentes consigam avançar no processo de melhorias para o País.
Para o deputado Bruno Toledo (PROS), a decisão do Senado apenas referendou o que já existia de fato no Brasil, que estava vivendo um momento "acéfalo" no quesito governabilidade. “Não tínhamos mais comando no Governo Federal. Uma gestora que não preenchia mais os requisitos de liderança. Acredito que foi uma decisão que vinha sendo amadurecida há muito tempo e a política apenas respondeu o clamor social”, avaliou.
Para o parlamentar, num primeiro momento, será muito complicado para o governo de Michel Temer dar as respostas que a sociedade precisa. “Espero que ele consiga unir as questões políticas e institucionais para dar essa resposta que o povo quer, pois o tempo é curto mas a expectativa é muito boa”, concluiu Toledo.
De acordo com a deputada Jó Pereira (PMDB), o afastamento da presidente já era quase um fato consumado, devido a opinião expressa pela maioria dos senadores que já haviam se manifestado favoráveis ao processo de impeachment.
“As razões foram muito bem colocadas por diversos senadores, uma vez que tive oportunidade de acompanhar grande parte da sessão que acolheu o parecer do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG)”, contou a parlamentar. “Vejo como uma derrota do PT, da presidente Dilma, mas que pode ser uma vitória do povo brasileiro”, avalia Jó Pereira, reforçando que, com a vitória do grupo petista, o País perdeu em termos de economia, de geração de emprego e de investimentos para o Brasil.
Na mesma linha de raciocínio, o deputado Inácio Loiola (PSB) disse que o País estava enfrentando um momento de extrema turbulência e Dilma não reunia condições de resolver os graves problemas que afligem o Brasil. “Acreditamos piamente que teremos dias melhores”, disse ele. “Michel Temer é um político que conhece bem os problemas do País e como vice-presidente vinha acompanhando tudo isso de perto, procurou se cercar do melhor para colocar em prática um plano de saída para esse País, que enfrenta, no meu entendimento, a pior crise de sua história”, observou Loiola, destacando a nomeação de um alagoano, o deputado federal Maurício Quintella (PR), para ocupar o Ministério dos Transportes, uma das mais importantes pastas do Governo Federal.
