O guitarrista Edi Ribeiro apresenta, nesta quinta-feira (12), às 20h, um repertório de cabra da peste no show “Alceu-Luiz”, no restaurante Comedoria Gourmet, em Maceió. Alceu, Luiz, claro, estamos falando de Alceu Valença e Luiz Gonzaga, e de clássicos como “Belle de Jour” e “Asa Branca”. Agora pense num forró eletrificado, com os floreios da sanfona, mas com um peso de rock, sonzeira de guitarra (Ribeiro), contrabaixo (Tonny Santana) e bateria (Jailson Rego).

“É uma proposta de power trio”, explica o virtuose forrozeiro Edi Ribeiro, que um dia fora chamado Pica Pau, à frente de uma das bandas mais interessantes, inteligentes e carismáticas dessa geração de músicos a buscarem arte de raiz, por assim dizer, desenhada no galope de um cavalo e nas braçadas que atravessam o rio caudaloso.

Desfeita a Cumbuca, Ribeiro deu um tempo da cena musical, recolhendo-se por uns cinco anos, estudando o instrumento, pesquisando novos timbres e possibilidades para uma guitarra afeita ao forró e ao baião. O resultado desse esforço pôde ser apreciado, por duas centenas de fãs privilegiados, no show que realizou para o “Encontro artístico” do coletivo Identidade Alagoana, em outubro do ano passado, no teatro de arena Sérgio Cardoso, centro da capital.

“O show na Comedoria repete essa formação e a sonoridade que mostrei no Arena”, diz o heroico guitarrista, dando continuidade, por assim dizer, primeiro ao baião moderno de Luiz Gonzaga – que conquistou o Brasil entre as décadas de 1950 e 1960 – e, segundo, à vitoriosa recriação do forró lá no final dos anos 1970 por um jovem e inventivo Alceu Valença.

Edir Ribeiro mistura influências e referências desses dois monstros sagrados da música regional modernista, ele mesmo tornando-se um gigante por aqui, por essas plagas caetés.

“Eu me propus, fiz esse desafio de trazer as nuances, os floreios da sanfona para a guitarra”, explica. “Toco a guitarra limpa, entende, sem distorções, indo mais por uma pegada de jazz, que possibilita trabalhar essas características da sanfona.”

Diz que vem “amadurecendo” essa fórmula desde 2013. “Agora estou me sentindo mais confortável para fazer com a sanfona do Luiz Gonzaga o que ele fez com a viola. Ele diz que o molejo do baião puxou dos ponteios da viola. Eu pego a guitarra e fico trabalhando nela esse lance frenético da sanfona e os ponteios da viola. Gonzaga trouxe os ponteios da viola para a sanfona e eu da sanfona para a guitarra.”

Genial. No pequeno concerto no Arena (a noite foi dividida com outras duas jovens trupes musicais), Edi Ribeiro dominou o palco. Foi, numa palavra, eletrizante. Baião sim senhor, forró para sacolejar a plateia, mas muita guitarra, meu irmão, muito som.

“Eu fico pensando, trabalhando com a rapaziada, e acho que está dando certo.” Já deu.

Como o São João está em cima, ele diz, promete esquentar ainda mais o forrobodó, tocando os clássicos mais sacudidos da dobradinha Gonzaga e Alceu. Fará, também, um número especial, música de lavra própria que dá título ao CD que está finalizando.

“O álbum vai se chamar ‘Edi Ribeiro no Baião de Dois’. Faz referência a esse clássico de Luiz Gonzaga, ‘Baião de Dois’. Fiz uma viagem longa e, no caminho, fui compondo. É instrumental, fazia parte de outro projeto, um CD todo instrumental. Mas já a incluí nesse álbum. Produção independente, você sabe, os recursos são poucos. Mas estamos já finalizando, fazendo a mixagem, não posso dizer a data do lançamento, mas não demora.”

Especial ‘Alceu-Luiz’ – Nesta quinta-feira (12), com o guitarrista Edi Ribeiro, às 20h – couvert R$ 15. Tel. para reservas: (82) 99332 4004.

Comedoria Gourmet – Avenida Almirante Álvaro Calheiros, 110, Jatiúca. Tel. 3325 7537. Terça a quinta-feira, das 12h às 23h; sexta e sábado, das 12h às 2h, e domingo, das 12h às 23h.