Enquanto Eduardo Cunha assistia a decisão do pleno do STF de alijá-lo do Poder, o deputado federal Waldir maranhão (PP-MA), aliado e amigo do presidente afastado, mas que votou contra a admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma simplesmente por ser adversário dos Sarney no Maranhão, pode agora com uma canetada zerar todo o processo de impedimento da presidente.
Caberá a ele como presidente substituto decidir monocraticamente um recurso apresentado pela defesa da presidente. O advogado-geral da União José Eduardo Cardozo, no dia 25 de abril, solicitou que os autos voltem à Câmara e que seja declarada a nulidade da votação.
Em outra estratégia, Cardozo vai pedir a anulação do processo ao STF tendo como base a mesma decisão dos ministros que afastou o presidente da Câmara, desvio e abuso de poder.
O fato é que o outrora poderosíssimo Eduardo Cunha, o malvado favorito, está fragilizado. Agora corre o risco não apenas de ser preso, mas também de ver a situação piorar para a sua mulher e filha também envolvidas e beneficiadas pelos esquemas de corrupção dos quais é acusado.
Diz-se em Brasília que ele tem “o maior arsenal para fazer a maior delação do mundo”. Só para lembrar, numa mensagem interceptada pelos investigadores da Lava Jato, Cunha citou um repasse de R$ 5 milhões da OAS para Michel Temer.
Sem falar da rede de poder que construiu e que o fortaleceu imensamente na formação da bancada de parlamentares que criou. E nessa bancada tem deputados alagoanos antigos e estreantes.
Se Cunha falar e se Waldir Maranhão gastar tinta da caneta Brasília desaba.
O danado é que quando a gente pensa que a crise, de uma forma ou de outra, caminha para se livrar do emaranhado da teia de aranha ocorre exatamente o contrário.
Ou seja, ainda estamos distantes do fundo do poço.
Se é que esse poço da política brasileira tem fundo.