Apontada como uma das orlas mais bonitas do Brasil, o cartão postal de Maceió está dividido, pintado de três cores neste domingo (17). De um lado, o vermelho dos que defendem a permanência da presidente Dilma Rousseff e são conta o que chamam de “Golpe”, enquanto do outro lado, as cores verde e amarelo, que representam o movimento que quer o Impeachment da líder do executivo nacional.
Ainda durante a manhã, as coordenações dos movimentos começaram a montagem dos seus espaços. A “Frente Brasil Popular” que está favorável a permanência da presidente Dilma Rousseff montou a sua base em frente ao Iate Clube Pajuçara.
Uma das coordenadoras do movimento, Élida Miranda avaliou a movimentação deste domingo. “Hoje não temos meta de público. Essa manifestação é continuidade do trabalho que iniciamos a partir do momento em que se movimentaram para aplicar esse golpe na democracia brasileira. Estamos muito confiante, apesar da tentativa de muitos de mascarar uma desvantagem, acreditamos que essa a Câmara dos Deputados vai barrar esse processo e sairemos vitoriosos mais uma vez”, disse.
A representante ainda mencionou que independente do resultado, a luta continuará. “Estamos aqui hoje, acreditando na vitória. Mas caso algo que não esperamos aconteça, vamos seguir essa luta sim. Seja no Senado, no STF, onde for, não vamos nos calar diante das nossas convicções”, afirmou.
Segundo a organização da Frente Brasil Popular, o convite foi feito para a população em geral que defende a causa, assim como políticos, líderes sindicais, juristas e movimentos como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), Movimento Sem terra (MST), Via do Trabalho, grupos jovens e Comissão Pastoral da Terra (CPT). A manifestação contará com apresentações culturais e falas de líderes do movimento e ficarão no local assistindo a votação em um telão.
No outro sentido da orla, mais precisamente no Alagoinhas, estava o “Movimento Brasil Livre”, que defende o Impeachment da presidente Dilma Rousseff. Centenas de pessoas já estavam prontas para iniciar o manifesto.
Nos moldes parecidos com o grupo opositor, o MBL iniciou a atividade com a comercialização de camisas, bandeiras e adesivos que iriam custear toda a estrutura montada na Ponta Verde.
Da mesma forma, um telão foi instalado para que o público acompanhe a votação na Câmara dos Deputados em Brasília. Um dos coordenadores do movimento, Alessandro Gusmão, destacou a necessidade do processo de Impeachment ser aprovado.
“O ambiente é, está e continuará tranquilo. Não queremos alimentar qualquer tipo de rivalidade. Cada um tem a sua forma de pensar, suas ideologias e defendemos as nossas. Aqui, iremos receber as pessoas que tem acompanhado o processo de perto, sem nada de manipulação, mas as pessoas que se fizeram presentes em outras oportunidades e querem de fato uma mudança”, afirmou.
O membro do MBL ainda lembrou que em contato com os movimentos nacionais, tem informações de que o processo será aprovado e seguirá para o Senado. “Todos os levantamentos feitos até agora, apontam Pró-Impeachment. Isso é o espelho da atual situação. Não apenas por ser aprovado, mas porque no Senado os crimes de responsabilidade serão investigados de forma aberta. A presidente tinha 30 crimes nas costas, reduziram para 9 e hoje está sendo votado apenas um, que é o menos sujo de todos”, explicou.
Afirmando que o movimento pretende manter o clima de tranquilidade, o membro do movimento contra a presidente afirma que terminada a votação, haverá a retirada do acampamento que está montado há quase dois meses na Ponta Verde.
“Em caso de vitória, logo depois vamos levantar acampamento. Foi uma vitória, mas não há motivo para festa. O país ainda precisa sair desse atoleiro e posteriormente vamos lutar e mostrar nossa indignação de outra forma”, concluiu.