Os documentos apreendidos pela Polícia Federal na Odebrecht e a nova relação de políticos e partidos que receberam recursos da construtora põe a eleição em Maceió em um novo patamar.

Principalmente pelo surgimento do nome do prefeito Rui Palmeira (PSDB) como um dos que recebeu dinheiro, independente de ser ou não investigado, suspeito ou inocente, isso não importa no atual momento político brasileiro.

Se até ontem (23) Rui tinha como principal diferencial para a campanha eleitoral o fato de não existir nenhum processo ou investigação sobre ilegalidades ou relações perigosas, a partir de agora, no imaginário popular e para os seus adversários, surge uma dúvida que vai ser muito utilizada.

Especialmente para o seu provável e principal adversário, o ex-prefeito Cícero Almeida (PMDB), que certamente seria atacado na campanha pelo fato de responder a processos no STF por supostas irregularidades na sua administração.

Agora Almeida tem como contra atacar para se defender. Portanto, como ambos poderão trocar acusações o embate político principal deve sair dessa esfera e colocá-los na discussão sobre a atuação de ambos como gestores da capital.

Como tantos outros políticos e partidos acusados na Lava Jato, o prefeito de Maceió deu a mesma explicação que todos, até porque não caberia outra. A de que “Todas as doações financeiras realizadas nas eleições de 2012 em prol da campanha do então candidato a prefeito Rui Palmeira são legais, foram declaradas aos tribunais eleitorais e aprovadas sem ressalvas por estas Cortes. 

E mesmo que o dinheiro da Odebrecht tenha sido doado pra campanha através do partido, vai sempre ficar a dúvida, no mínimo. Vivemos em tempo em que os inocentes ou suspeitos são culpados na sociedade midiática em que vivemos.

Ou seja, recebeu R$ 50, 00 ou R$ 1 bilhão, está contaminado. É como um banco de sangue contaminado por uma doação. Uma pena.

A Operação Lava Jato é um leão que não volta à jaula. E o seu rugido atinge a todos porque a atividade política sempre foi financiada por grupos empresariais que têm interesses e negócios com os governos estaduais, municipais e federal.