(Atualizada às 15h50)
Documentos apreendidos pela Polícia Federal listando possíveis repasses da Odebrecht para mais de 200 políticos, mostram tabelas com menções a diversas personalidades políticas, entre elas, pelo menos três alagoanos, segundo divulgado nesta quarta-feira, 23, pelo Blog do Fernando Rodrigues, do Uol.
Nas planilhas aparecem os nomes Renan, que teria o codinome “Atleta”, Rui Palmeira e Theotonio Vilela. Ao lado dos nomes, no tópico “valores totais”, aparecem os seguintes números: 50,00; 150,00 e 50,00.
Segundo o blog, algumas tabelas parecem fazer menção a doações de campanhas e parte da contabilidade se refere à campanha eleitoral de 2012.
Considerado o mais completo acervo do que pode ser a contabilidade paralela descoberta e revelada ontem (22) pela força-tarefa da Operação Lava Jato, a documentação estava com Benedicto Barbosa Silva Júnior, presidente da Odebrecht Infraestrutura, e conhecido no mundo empresarial como “BJ''.
Segredo
O juiz federal Sérgio Moro decidiu colocar em segredo de Justiça a lista de pagamentos. Ele destacou que nos documentos não há juízo sobre a legalidade dos pagamentos e que o material não foi apreendido no Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, sem contar que a empresa efetuou diversas doações eleitorais registradas nos últimos anos..
Prefeito
Em nota à imprensa, a assessoria do prefeito de Maceió afirma que todas as doações financeiras realizadas nas eleições de 2012 em prol da campanha do então candidato a prefeito Rui Palmeira são legais, foram declaradas aos tribunais eleitorais e aprovadas sem ressalvas por estas Cortes.
O ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) informou, por meio da assessoria, que todas as doações recebidas em suas campanhas eleitorais foram legais, devidamente registradas na Justiça Eleitoral, publicadas como determina a lei no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, portanto, às vistas do interesse público.
Teotonio disse também que está à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos.
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), ainda não se manifestou.
Leia a nota de Rui Palmeira na íntegra:
Nota à Imprensa
Em relação à postagem do blog do jornalista Fernando Rodrigues, de título “Documentos da Odebrecht listam mais de 200 políticos e valores recebidos” publicada no site UOL em 23 de março de 2016, a assessoria de Rui Palmeira, prefeito de Maceió, afirma que:
1) Todas as doações financeiras realizadas nas eleições de 2012 em prol da campanha do então candidato a prefeito Rui Palmeira são legais, foram declaradas aos tribunais eleitorais e aprovadas sem ressalvas por estas Cortes. Ademais, Rui Palmeira não é investigado em nenhuma apuração acerca de doação ilegal em campanhas e está inteiramente à disposição para prestar quaisquer esclarecimentos, se necessário;
2) A empresa Odebrecht não consta entre os doadores diretos da campanha de Rui Palmeira em 2012 e a lista completa de doadores da referida campanha pode ser consultada no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na seção demonstrativa das Contas Eleitorais;
3) A mesma consulta ao site do TSE mostra que em Alagoas o Diretório Municipal de Maceió do PSDB recebeu doação de R$ 400.000,00 (quatrocentos mil reais) oriundos da Braskem S/A, empresa controlada pela Odebrecht. No total, o Diretório Municipal de Maceió do PSDB recebeu 1.659.000,00 (um milhão, seiscentos e cinquenta e nove mil reais) em doações, provenientes de diversas fontes doadoras, todas declaradas à Justiça Eleitoral. Esta consulta mostra também que o Diretório Municipal de Maceió do PSDB doou a campanha do então candidato a prefeito Rui Palmeira um total de R$ 718.066,00 (setecentos e dezoito mil e sessenta e seis reais). Igualmente, o Diretório Nacional do PSDB doou a esta mesma campanha eleitoral um total de R$ 2.455.000,00 (dois milhões, quatrocentos e cinquenta e cinco mil reais). Os recursos provenientes do Diretório Nacional do PSDB também têm origem de diversas fontes doadoras;
4) Vale reforçar que no mesmo post, o próprio jornalista Fernando Rodrigues informa que as “planilhas são riquíssimas em detalhes – embora os nomes dos políticos e os valores relacionados não devam ser automaticamente considerados como prova de que houve dinheiro de Caixa 2 da empreiteira para os citados (grifo nosso). São indícios que serão esclarecidos no curso das investigações da Lava Jato”.

