Estive - na noite de hoje - em um evento do PMDB  do senador Renan Calheiros. Um evento para novas filiações partidárias, com a presença do vice-presidente Michel Temer (PMDB).

Lá estive como jornalista, assim como toda a imprensa alagoana.

Antes de entrar no auditório, o presidente do Senado, Renan Calheiros, concedeu uma entrevista coletiva improvisada. Fiz duas perguntas.

1) Como o senador Renan Calheiros avaliava a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) que transformou Eduardo Cunha (PMDB) - o presidente da Câmara - em réu. O processo de Cunha não anda com a mesma velocidade que a dos processos que Calheiros responde (seis ao todo). Seriam pesos diferentes? O que há de diferente nos processos, na visão do peemedebista?

2) Como ficava o PMDB diante da situação de Eduardo Cunha? Prestaria apoio ou também pediria sua saída da presidência?

Duas perguntas que julgo cabíveis. Tinha outras, mas não ia “metralhar” o senador, pois sei que meus colegas de profissão também tinham suas indagações. Uma coletiva é assim. 

Pois bem, Renan Calheiros parece não ter ouvido a minha primeira pergunta. Acontece. É muita gente falando ao mesmo tempo. Pressuponho que tenha sido isto. No caso da segunda, ele ouviu muito bem e mandou ver: “O Eduardo Cunha lhe mandou um abraço”.

Nossa, eu levei um fora do senador Renan Calheiros. Todos os que estavam ao redor caíram na gargalhada. O “fora” pode ser traduzido como uma fuga de temas espinhosos, que - por sinal - foi o que o peemedebista-mor de Alagoas fez durante a entrevista.

Pois bem, não obtive as respostas de minhas indagações. Todavia, as faço novamente em meu blog. Assim, o leitor pode avaliar se são cabíveis ou não ao senador do PMDB. Caso o senador queira um dia responder, que fique a vontade. 

Há certos “foras” dos quais me orgulho. Este é um destes. Pois, a resposta jocosa do peemedebista reforça o que acredito ser o meu papel como jornalista. Não estaria eu em um evento do PMDB para fazer a “pauta oficial”. Isto é com a assessoria do partido. 

Meu papel é o de buscar, das autoridades legitimadas, respostas sobre suas condutas públicas. Ao que me consta, Renan Calheiros responde a seis inquéritos no Supremo Tribunal Federal. Isto por si só faz com que se estranhe o tratamento dado ao presidente de uma Casa legislativa que se diferencia ao que é dado ao comandante da outra Casa. 

É algo a se discutir. Não se trata de prejulgamento.

Outro ponto: Renan Calheiros é uma liderança importante do PMDB. É natural que o partido discuta como proceder diante de um fato grave que envolve um de seus filiados de destaque (falo, obviamente, de Eduardo Cunha). Creio que qualquer um que acompanha o quadro político teria interesse sobre o que pensa Calheiros em um caso ou outro.

Peço desculpas ao leitor por não trazer as respostas, mas se quiserem, Eduardo Cunha mandou um abraço. 

Agora vamos aguardar o desenrolar dos fatos em Brasília (DF) para saber quem vai mandar abraços a Renan Calheiros.

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