Conversei - na manhã de hoje, dia 2, no Manhã da Globo, da Rádio Globo AM-710 - com a secretária de Estado da Cultura, Melina Freitas.
Falei com Melina Freitas sobre diversos assuntos da pasta (que os trarei, na íntegra, no CadaMinuto Press da próxima sexta-feira, nas Páginas Vermelhas. Aguardem nas bancas), mas não deixei de tocar em alguns pontos polêmicos, como as manifestações que pendem a saída de Freitas do cargo.
Em geral, as manifestações foram capitaneadas pelo MOVA (Movimento Cultural Alagoano). Melina Freitas disse que sempre encarou as manifestações com “tranquilidade”. Um ano depois, ela acredita que já há espaço para o diálogo com estes movimentos e que tem trabalhado para atender demandas que considera vitais para a cultura alagoana.
“Eu encarei estas manifestações com total tranquilidade”, afirmou Melina Freitas. Indaguei a ela quanto ao mérito das acusações que levam segmentos culturais a pedirem sua saída. Melina Freitas é acusada de envolvimento em um esquema de corrupção que teria desviado R$ 16 milhões dos cofres da Prefeitura de Piranhas. A secretária foi prefeita da cidade.
“A maior interessada em que este processo se resolva sou eu. Então, eu espero na Justiça que os fatos sejam esclarecidos o mais breve possível. Sigo desenvolvendo um trabalho com muita seriedade e respeito. Sigo buscando o diálogo e a transparência”, frisa Melina Freitas.
Ela salienta que - na visão dela - a relação entre ela e o MOVA “tem sido cada vez melhor”. “Nós temos vencido barreiras, uma a uma. O estudo da Lei de Incentivo à Cultura - que será colocada pelo governo - tem aproximado bastante o MOVA da equipe da Secretaria de Cultural, da qual sou titular da pasta neste momento. Inclusive, com projetos que estão sendo desenvolvidos sempre buscando ouvir as reivindicações do Movimento, atender as demandas. De minha parte, sempre estive muito aberta”.
Melina Freitas diz que - em relação as acusações que foram feitas pelo Grupo de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc) do Ministério Público contra ela - “o MP cumpriu o seu papel. Gestor público tem que ser fiscalizado mesmo. Cumprir o seu papel. Estou estou me defendendo na Justiça. Tenho muita tranquilidade porque sei o papel que cumpri em meu município e até hoje sou muito bem recebida quando vou à cidade”.
Freitas avaliou sua gestão de prefeita em Piranhas como “muito boa”. “Inclusive quando eu sai houve uma queda no desenvolvimento da cidade. Os empresários se reuniram e mudaram isto e a cidade voltou a crescer”.
“Foi uma mudança positiva enquanto eu fui prefeita. Então, tenho orgulho de dizer isto. A população é muito carinhosa comigo. Tenho tranquilidade de lidar com as acusações que sofri, assim como meu trabalho na Secretaria. A oportunidade que o governador Renan Filho (PMDB) me deu é muito simbólica e importante, inclusive para que eu cumpra a minha missão e mostrar o quanto trabalho com respeito”, diz Melina Freitas.
Indicação
Questionei ainda Melina Freitas sobre sua indicação para a pasta, pois ela sofreu a turbulência das críticas antes mesmo de assumir, mas o governador a manteve na equipe. Indaguei se o desembargador e presidente do Tribunal de Justiça, Washington Luiz Damasceno de Freitas (que é pai de Melina Freitas) tinha influenciado no processo.
“Em momento algum o desembargador Washington Luiz participou desta articulação política. Eu recebi o convite pessoalmente do governador Renan Filho, no final de 2014. Eu sempre fui eleitora do governador. Votei nele para deputado federal”, salientou a secretária.
De acordo com Freitas, ela - dentro do PMDB - defendia a candidatura de Renan Filho quando nem ele mesmo havia decidido ser candidato ao governo. “Porque sempre vi nele um gestor visionário e um estadista, como ele tem demonstrado”.
“Nunca houve compromisso comigo. Eu fui para a campanha acreditando na proposta de governo. Quando passou a eleição, entendi que cumpri minha missão. Eu tinha outros projetos. Nunca esperei convite. Achava que poderia surgir convite porque participei da campanha, mas não tinha expectativa. E ainda em dezembro o governador me ligou e me chamou para conversar, fazendo o convite”, explicou Melina Freitas.
Melina Freitas complementa: “O desembargador Washington - que é meu pai - é uma figura importantíssima na minha vida. É um conselheiro. Eu escuto muito, mas politicamente falando eu procuro manter as minhas atividades e funções independentemente dele. Para mim, inclusive, é muito difícil ser filha do desembargador Washington Luiz. As pessoas associam e me cobram situações por ser filha do desembargador. Eu sou filha do Washington Luiz. Não me importa se ele é desembargador ou não”.
Avaliação
Outro ponto que conversei com Melina Freitas foi quanto à avaliação de seu trabalho. Freitas foi citada nos bastidores como uma secretária que teria tido um baixo desempenho - diante do “boletim escolar” feito pelo governador Renan Filho para acompanhar os secretários com notas - mas que se mantinha no governo.
Estas informações surgiram quando se falou da possível saída dos titulares Pablo Viana (Ciência e Tecnologia), Joaquim Brito (Assistência Social) e Cláudia Petuba (Esportes). Até agora, nenhuma saída se confirmou.
Questionei qual a nota que o governador atribuía a Melina Freitas (por sina, uma pergunta que venho fazendo aos titulares de pastas que vão ao Manhã da Globo). “Eu posso dizer o seguinte: a grande maioria dos secretários possuem boas notas. Eu, por exemplo, tenho uma nota acima da média do governo. São 21 secretários e eu sempre fico entre os cinco. Eu fiz uma média das notas que recebo do governador e eu fico em quarto lugar geral”.
“As notas variam por mês. Eu já tirei 10, já tirei 9. Eu acho motivador esse sistema de acompanhamento. É uma forma do governador conseguir acompanhar mais de perto as ações que cada pasta estão desenvolvendo. Eu acho que ele foi muito inteligente em adotar esse sistema de acompanhamento, esse modelo de governança. Inclusive estou tentando implantar dentro da pasta da Cultura este tipo de monitoramento”, finaliza.
Estou no twitter: @lulavilar
